domingo, 20 de maio de 2018
Música
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Henrique Cazes se apresenta no projeto ‘O choro é Livre’

André Luiz Maia / 02 de Maio de 2018
Foto: Divulgação
O choro é um gênero genuinamente brasileiro, com uma tradição musical consolidada. Diante disso, a UFPB realiza até a próxima sexta-feira o II Encontro de Choro, uma realização dos departamentos de Educação Musical e de Música. As atividades acontecem tanto no ambiente acadêmico quanto em espaços culturais espalhados pela cidade (confira o quadro de programação nesta página).

Palestras, rodas de choro, concertos e aulas de música estão na programação. O encontro surge pela iniciativa do professor da área de cordas dedilhadas, Eduardo Fiorussi (UFPB) e do cavaquinista Henrique Cazes (UFRJ), o primeiro professor do instrumento em nível superior no Brasil, a partir de 2013.

Em entrevista ao CORREIO, Cazes conversou sobre a importância de encontros como este e sobre a inserção de gêneros musicais populares da cultura brasileira dentro da academia, um processo lento, porém constante.

"É lento por conta dos preconceitos. A música popular começou a ser abordada na academia não pela área da música. Começou na área de línguas, da sociologia, história social. Os organismos de ensino da música da academia ainda eram refratários à entrada da música popular", pontua o professor e instrumentista.

O próprio Cazes aprendeu a tocar instrumentos de maneira autodidata. Primeiro veio o violão, aos seis anos. Mais tarde, aprendeu a tocar banjo, violão caipira, violão tenor e o cavaquinho, que acabou se tornando sua paixão e especialidade. Anos depois, esse amor e dedicação resultou no livro Escola Moderna do Cavaquinho, uma referência para estudiosos e estudantes do instrumento, já em sua 14ª edição.

Antes de entrar para o ambiente acadêmico, Henrique já era reconhecido na década de 1980 por seu trabalho na Camerata Carioca, atuando com o bandolinista Joel Nascimento e o maestro e pianista Radamés Gnattali. Foi neste grupo que ele realizou o projeto Vivaldi e Pixinguinha (1982), um LP que reunia elementos da música erudita e popular.

Este tipo de abordagem, por sinal, é primordial para o desenvolvimento de uma nova consciência de músicos. "Eu acho que qualquer músico, mesmo aqueles que querem seguir a carreira erudita, precisam entrar em contato com a música popular. Para tocar peças de compositores como Guerra-Peixe e Villa-Lobos, é preciso perceber as nuances e sensibilidades das células musicais da música popular usadas por eles em suas obras", opina o músico.

Não à toa, a programação do II Encontro de Choro promove essa fusão, com a participação de nomes como Grupo Pé de Choro, Orquestra de Violões da Paraíba, Sarau de Bolso, Grupo de Choro da UFPB, Pelágio Nericio e Salvador di Alcântara, além de um concerto da Orquestra Sinfônica da UFPB (OSUFPB), tendo como solistas as atrações musicais do evento: Henrique Cazes, Marco César, Ezequias Lira (UFRN) e o Grupo Pé de Choro.

Programação completa:

QUARTA-FEIRA (2):

▶ 13h30 – Orquestra de Violões da Paraíba [Cine Aruanda]

▶ 14h – Oficina com Henrique Cazes

[Cine Aruanda]

▶ 17h30 – Palestra e lançamento do livro A Voz e o Choro, com Daniela Rezende

[Cine Aruanda]

▶ 19h30 – Show: Henrique Cazes, Marco Cesar e Grupo Pé de Choro [A Budega]

▶ 20h30 – Roda de choro [A Budega]

QUINTA-FEIRA (3):

▶ 13h30 – Grupo de Choro da UFPB [Auditório 412]

▶ 14h – Oficina com Marco César

[Auditório 412]

▶ 17h30 – Ensaio aberto: Henrique Cazes, Marco Cesar e Grupo Pé de Choro

[Auditório 412]

▶ 19h30 – Roda de choro

[Miragem/ Tamarindeira]

QUINTA-FEIRA (3):

▶ 7h30 – Grupo Sarau de Bolso

[Feirinha orgânica da UFPB]

▶ 13h30 – Pelágio Nerício e Salvador di Alcântara [Cine Aruanda]

▶ 14h – Mesa redonda 'A pesquisa em música brasileira popular' [Cine Aruanda]

▶ 17h – Palestra: 'Práticas interpretativas do trombone no choro' [Cine Aruanda]

▶ 20h – Orquestra Sinfônica da UFPB [Auditório da Reitoria, UFPB]

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