domingo, 27 de maio de 2018
Música
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Gêmeos lançam CD Som D’Luna com show em João Pessoa

André Luiz Maia / 12 de Maio de 2018
Foto: Pablo Lacerda/Divulgação
A paixão pela música de dois irmãos gêmeos compõem a sinfonia de acordes ouvida em Nesse Trem, lançamento do Som D'Luna. A dupla formada por Diogo e Vitor Luna apresenta neste sábado (12), em João Pessoa, o resultado de um trabalho que começou há quase dois anos. A performance acontece na Sala de Concertos Maestro José Siqueira.

O show foi anunciado há algum tempo, mas muito antes disso, a performance já contava com parte da plateia garantida. Não, não se trata de nenhum esquema escuso. É que a dupla decidiu criar um financiamento coletivo para ajudar a custear parte da produção do disco, oferecendo como uma das recompensas ao público ingressos para a estreia do novo repertório.

Na apresentação, eles apresentam o conteúdo integral de Nesse Trem, além de algumas músicas do EP caseiro do grupo, Secura, lançado em 2015. "Também tem um momento em que deixamos reservado, só nós dois, para tocar algumas músicas que a gente curte, coisa de Zé Ramalho, Lulu Santos. É um momento mais solto, desde que nos entendemos por gente tocamos juntos, então às vezes decidimos muita coisa ali, na hora", adianta Diogo Luna, em entrevista ao CORREIO.

Além da preocupação com a música, a dupla procura participar de todas as etapas do processo, até mesmo da cenografia do show. Caixotes de madeira suspenso compõem o cenário, aliados a videoprojeções. "A gente botou a massa, virou carpinteiro. Confeccionamos as caixas", conta.

Som D'Luna é um dos grupos da nova cena paraibana que demonstram entender a dinâmica contemporânea do cenário musical, em que o artista precisa se envolver nos diversos processos que envolvem o desenvolvimento de uma carreira artística.

Álbum

O disco de 11 faixas foi produzido no estúdio Gota Sonora, em João Pessoa. No entanto, a dupla já tinha começado a produzir o disco antes dessa campanha. "A gente tinha algumas economias e começamos a gravar o Nesse Trem com isso. Quando a gente viu que nossa reserva não daria conta de todo o processo, veio a ideia de um financiamento que suprisse a outra parte, o que foi muito bom. A gente não parou o processo, quando nossa grana acabou, entrou o dinheiro do crowdfunding", explica Diogo.

A meta inicial, de R$ 8 mil, foi atingida e ultrapassada, concluindo a campanha com quase R$ 8,6 mil arrecadados. A ideia do disco já havia surgido no segundo semestre de 2016. Em conversas com o produtor musical Jader Finamore (da banda Os Fulano), eles foram delineando os caminhos que definiriam o som desse primeiro álbum. "Decidimos fazer arranjos com a presença de metais, um desejo nosso de muito tempo. Depois de produzirmos, fomos para o estúdio para gravar. Foi muito rápido, em menos de quatro meses ele estava pronto", conta o músico.

Além de Jader, o disco conta com a mixagem de Renato Oliveira e arranjos de Vitor Luna e Diogo Luna, Jader Finamore e do baixista Ítalo Viana. Ainda integram o projeto os bateristas Thiago Jorge, Herbert José e Gilson Machado, os tecladistas Uaná Barreto e Renato Oliveira, o percussionista paulista Luccas Martins (Serelepe), além do saxofonista Joab Andrade, do trompetista Emanoel Barros, do trombonista Sabiano Araújo, do violoncelista Tom Drummond, do flautista Renan Rezende e do clarinetista Thompson Moura. Guitarras e violões ficam a cargo dos irmãos.

O resultado foi um disco plural. "A gente não tem muita regra na hora de compor. O disco abre com um samba, depois vai para um som mais africano misturado com um soul funk meio pop e baladas românticas". São todas composições autorais da dupla, à exceção de duas faixas. Em "De lá de longe", a esposa de Vitor, Vanessa Carvalho, escreveu a letra em parceria com o marido. Já "Onde vou chegar" contou com a colaboração de Kayo César, um amigo de longa data de Diogo.

O título do trabalho só veio no fim de tudo. "Não sabíamos que nome dar ao disco. Tinha uma música forte, que é a faixa-título. No entanto, quando a gente viu o repertório, notamos que na maioria das músicas havia um sentimento, de 'corra atrás do que você quer fazer'. De acordar feliz e disposto para fazer o que deseja. Aí começamos a perceber que essa imagem do trem poderia simbolizar os caminhos que esse disco percorre", salienta Diogo Luna.

As faixas espelham as diversas influências que Vitor e Diogo absorveram ao longo da vida. "A gente sempre escutou muita coisa. Nosso pai é maluco por Zé Ramalho e tivemos uma influência forte de música nordestina. Mas uma coisa que nunca desprezamos foi escutar outras coisas, até da música pop mesmo. A gente escuta Zé Ramalho e Bruno Mars e acha os dois muito bons", pontua.

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