quinta, 24 de maio de 2018
Música
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Forró de raiz: lendário grupo Os 3 do Nordeste está programação do São João

André Luiz Maia / 05 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Se você gosta de forró, certamente já ouviu falar do grupo Os 3 do Nordeste. Em 2016, eles completam 45 anos de atividade e fazem hoje uma apresentação no Palco Principal do São João de Campina Grande, que também terá como atrações Brasas do Forró e Gabriel Diniz.

Ainda sob o nome de Trio Luar do Sertão, em 1969, o trio surgiu do encontro dos músicos Parafuso (que permanece na formação atual), Zé Cacau e Zé Pacheco, no Rio de Janeiro, a convite de Jackson do Pandeiro, amigo de longa data de Parafuso.

Em 1972 gravaram seu primeiro LP, mudando o nome para Os 3 do Nordeste, por sugestão do mestre Abdias dos Oito Baixos, na época seu diretor musical.

Na performance de logo mais, eles trazem canções do repertório clássico, a exemplo dos sucessos “Forró do poeirão”, “É proibido cochilar” e “Por debaixo dos panos”, esta última presente na trilha sonora da novela Velho Chico. Mas também há novas canções, algumas ainda nem mesmo gravadas em disco, que eles devem apresentar para o público do Parque do Povo em primeira mão. “A certeza é que vai ter muito forró e xote bom de dançar”, adianta o vocalista Deda Silva, que também toca o triângulo do trio.

Deda está no grupo desde 2000, dividindo espaço com Parafuso (zabumba) e do jovem sanfoneiro Hedran Barreto, de 27 anos, que entrou no grupo em 2014. Sobre a responsabilidade de carregar o legado de um grupo grandioso como Os 3 do Nordeste, Deda faz uma analogia com o futebol. “É como se a gente fosse jogador de um time, que caísse na graça do povo e fosse convocado para a seleção. Há o choque, por conta do peso ao vestir a camisa da seleção. Acho que é mais ou menos essa a sensação. A responsabilidade é a mesma, você tem a obrigação de representar não só o trio, mas o forró e a história do grupo. Eu era muito novo na época, foi um desafio”, relata.

Nos últimos anos, ele tem observado um crescimento do espaço concedido aos grupos de forró mais tradicional, mesmo dentre as principais atrações das festas juninas. “Eu achei interessante, pois estamos chegando em uma igualdade. Até pouco tempo atrás, só o estilizado estava à frente de tudo. Agora, o forró pé-de-serra consegue destaque, obviamente não do mesmo jeito que o estilizado, que está na boca do povo, mas, graças a Deus, estamos felizes por ocupar novamente lugares que o forró tradicional havia sumido, como a mídia”, comenta.

As festividades do interior, em cidades menores, também estão mais receptivas aos defensores do forró pé-de-serra. “Pesquisando na internet, a gente vê uma série de festas nesses interiores com cantores do forró tradicional, como Alcymar Monteiro, Jorge de Altinho, Flávio José. A gente também está em Caruaru e vê uma programação boa com pé-de-serra”, diz.

“Aqui em Campina, além do palco principal, tem as tendas, que praticamente só têm esse forró”, continua. “É uma alternativa para quem não quiser ver os shows de forró estilizado e com certeza muitos turistas acabam passando e parando para ver esses shows menores, para dançar e curtir. Há espaço para todo mundo. O São João é grande, o Nordeste é grande, o Brasil é grande, cada um tem seu gosto. O mundo em que a gente vive precisa de harmonia e isso inclui também o mundo da música”, enfatiza Deda Silva.

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