domingo, 16 de junho de 2019
Música
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Fernanda Abreu lança seu primeiro disco de inéditas após 12 anos

Kubitschek Pinheiro / 14 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Interrompendo um período de 12 anos sem gravar um disco de estúdio, Fernanda Abreu chega com Amor Geral, todo de inéditas com sonoridade eletrônica e bem pulsante. O novo trabalho tem direção musical e produção dela, com o selo da artista, Garota Sangue Bom, e da Sony Music. Um discão.

“Isso mesmo, esse disco foi bem pensado, tem a velocidade do meu canto e estou muito feliz com o resultado. É um trabalho de equipe, bem artesanal. Quando digo artesanal é porque é bem cuidado e sofisticado ao mesmo tempo. Nesses dez anos não parei, a onda sonora não sai da minha cabeça. Conheci muitos DJs, muita gente bacana e fiz esse disco eletroacústico, bom para dançar e pensar”, diz ela em entrevista ao CORREIO pelo telefone, de seu apartamento no Rio de Janeiro.

A primeira indicação de Amor Geral apareceu no clipe de “Outro sim”, dirigido por Mini Kerti e lançado em abril passado em todas as plataformas. Com o disco, Fernanda retoma a linha crescente que atravessou seus discos dos anos 1990: Sla Radical Dance Disco Club (1990), produzido por Herbert Vianna, Sla 2 – Be Sample” (1992) e Da Lata (1995), trabalhos onde ela se firmou como pioneira no uso de samplers como instrumento. Uma artista entusiasta do funk carioca, boa de versos.

Fernanda confirma que o disco tem algo autobiográfico. “E provocante, exatamente isso: muito provocante. Mas refletivo também. Está ai o meu desafio, minha essência”.

Fernanda surgiu com banda Blitz nos anos 1980. “A Blitz faz parte de mim, mas há muito estou noutra”. A novidade é que ela vai lançar agora no segundo semestre um CD com canções que gravou de outros artistas: sua participação no sambabook de Martinho da Vila; “Menino do Rio”, de Caetano Veloso; “Fullgás”. de Marina; “Samba e amor”, de Chico Buarque; “Eles estão surdos”, de Roberto Carlos, entre outras.

Fernanda comenta músicas

▶ “Outro sim” – Dançante e com muito astral, o single (dela com Jovi Joviniano, Gabriel Moura, produzida por Wladimir Gasper) abre o CD com letra cheia de sacadas inteligentes e insinuantes. O jogo de palavras, os signos provocativos mexem com a proposta da artista do eterno “Rio, 40 graus”: “Outrora, outra vez, outro lar. Outro lugar, outra mulher, outro homem. Outro marido traído, Outra esposa ansiosa, outra amante excitante querendo dar”. “Eu gosto muito dessa letra, ela reúne todas as velhas coisas que ainda acontecem a cada dia e muita gente não percebe”, lembra a cantora.

▶ “Tambor” – Dela com Jovi Joviniano e Gabriel Moura, produzida por Sergio Santos , tem a participação do DJ americano Afrika Bambaataa, criador do álbum Planet Rock, um dos primeiros sucessos do hip hop, nos anos 1980. “Isso foi incrível, orgânico. Eu estava em São Paulo e o músico Tuto Ferraz me ligou, dizendo que o Africa estava lá no estúdio. Aí, peguei um avião. (A música) É uma homenagem ao tambor, expressão da cultura negra e da comunicação entre os homens”, resume.

▶ “Double love amor em dose dupla” – Ela só não assina esta faixa, de Fausto Fawcett e Laufer. “Esse funk é moderno porque tem a batida certa, que fala de encruzilhada amorosa na cidade nervosa. È muito bom esse som, sem rótulos. Eu gosto muito do eletro funk”.

▶ “Antídoto” – A quinta faixa foi feita por ela para a mãe. “Olha essa letra, essa melodia, é uma coisa forte em mim. Minha mãe estava com um tumor na cabeça que não era maligno, mas não poderia remover e aquilo me fazia ficar numa tristeza... Ela já partiu. Eu olhava para ela e não sabia se ela estava viva ou morta (ela ficou em coma por seis anos). Minha mestra, para ela fiz essa canção. Fiz numa madrugada em que não conseguia dormir”.

▶ “Valsa do desejo” – Linda, dela e Tuto Ferraz, parece feita para uma trilha sonora, tamanha a identificação com cenas. “Eu também penso assim. Fiz a letra primeiro, depois colocamos a melodia.

▶ “Amor geral” – A faixa que dá nome ao disco, que Fernanda assina com Fausto Fawcett e Pedro Bernardes, que dá nome ao disco, ficou para o fim. Lembra uma canção de protesto. E mostra que é melhor ter fome de viver. Nessa ultima faixa ela não canta, recita os versos sobre um som viajante. “Essa música é a possibilidade de mudança, fico sem entender tanta gente sem amor, gente que não escuta o coração do planeta bater, o gigante coração do amor. Eu queria uma espécie de epilogo”.

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