domingo, 18 de fevereiro de 2018
Música
Compartilhar:

Encontro de Batuques da Paraíba tem segunda edição neste domingo

André Luiz Maia / 18 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
A percussão está intimamente ligada às nossas raízes culturais, sociais e filosóficas. Tendo isso em mente, o Coletivo Maracastelo, baseado no bairro Castelo Branco, em João Pessoa, decidiu criar um evento que apresentasse as diversas manifestações culturais através de tambores em um só local. Assim, surge o Encontro de Batuques da Paraíba, cuja segunda edição acontece hoje em João Pessoa, encerrando a II Semana de Extensão Afroeducação.

“Nosso objetivo é valorizar e divulgar as manifestações culturais tradicionais do estado, promover um intercâmbio entre os grupos, que vivem segregados, normalmente, e levar essas manifestações para o grande público”, explica Angela Gaeta, coordenadora de produção do encontro. A primeira edição foi feita na época do São João, em Campina Grande, e a segunda é realizada no Parque da Lagoa, por conta do grande fluxo de pessoas no local durante o domingo. “A ideia é gerar público e apresentar a eles essas expressões culturais”.

Neste ano, as mestras da cultura paraibana Vó Mera, do bairro do Rangel, na Capital, e Dona Lenita, do movimento coquista dos quilombos de Ipiranga e Gurugi são as grandes homenageadas. “Elas representam o movimento do coco de roda paraibano, que é marcado fortemente pela presença de mulheres”, completa Gaeta.

Tanto é que o evento trará também outra coquista, Odete de Pilar. Completam a programação do encontro os índios Tabajara, os alunos da Escola de Capoeira Angola ao Pé de Baobá, o Afoxé Ylê Áwá, todos de João Pessoa; a Ciranda do Sol, a Banda de Pífanos Cabaçal de São José de Piranhas, de Cajazeiras; Aruenda da Saudade, de Pitimbu; e as Cambindas Brilhantes, do município de Lucena. Ao fim do evento, também acontece um cortejo com os maracatus infantis Tambores do Tempo, do Vale do Gramame e Nação Oxalá, de Pernambuco.

O encontro é a culminância da II Semana de Extensão Maracastelo Afroeducação, que aconteceu durante a última semana. Através de discussões, vivências, mesas-redondas e oficinas, a iniciativa serviu para discutir a importância das manifestações culturais. “Através deles, propomos o diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes da tradição oral”, completa Angela Gaeta. O Maracastelo desenvolve semanalmente atividades na Associação dos Moradores do Castelo Branco, buscando aproximar os moradores da cultura ancestral e de suas raízes.

“A gente leva os tambores para as ruas e também tenta conscientizar a população sobre a importância daquela tradição. De uma forma quase didática, a gente reforça o caráter identitário, fazer com que a população se veja representada ali, pois praticamente toda a nossa cultura, mesmo que a gente não perceba, está conectada com essas raízes africanas e indígenas, desde a comida na mesa até o chá que nossas avós e mães recomendam para o tratamento de alguma doença”, ressalta Angela.

Encontro de Batuques da Paraíba

Hoje, às 13h. No Parque da Lagoa (Pq. Sólon de Lucena, Centro, João Pessoa).

Entrada franca

Leia Mais

Relacionadas