quinta, 19 de julho de 2018
Música
Compartilhar:

Elba Ramalho e Chico Buarque, pelas lentes do fotógrafo carioca

Kubitschek Pinheiro / 07 de setembro de 2016
Foto: Daryan Dornelles
O fotografo carioca Daryan Dornelles está nas redes sociais, mas nem precisa ir ao computador ou celular para chegar ao esmerado trabalho dele. Seu olhar está em quase tudo: em revistas, peças publicitárias, em várias capas de CDs. Um olhar que vem da música, humana musica.

Foi da música que nasceu a fotografia. “Com certeza! Comecei realmente e escutar e colecionar música a partir dos 14 anos, nunca pensei em ser fotógrafo, foi ao acaso e tarde com 23 anos”, diz.

Dornelles lançou ano passado seu primeiro livro, Retratos Sonoros (Sonora), que compila fotografias de astros da música brasileira: Milton Nascimento, os manos Caetano e Bethânia, Nando Reis entre muitos. Lá vamos encontrar dois paraibanos: Elba Ramalho e Herbert Viana, o líder do Paralamas do Sucesso.

"Fiquei super satisfeito com o resultado. Ter um trabalho reconhecido sempre é bom e fiquei realmente feliz pela repercussão E claro, gostei de ter incluído o Herbert e a Elba, dois grandes artistas da Paraiba”.

Dornelles é formando em Cinema e Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense, tem três livros lançados e mais de 1.500 retratos publicados, mais de 150 capas de discos, mais de 100 de revistas  e já fez duas exposições individuais e várias coletivas. Atualmente trabalhando em um novo livro de retratos.

Entre as capas de discos, Dorneles assina trabalhos de Chico Buarque, Tom Zé, Alice Caymmi e o mais recente CD do pai dela, Danilo Caymmi.  Ele também fez capaz de livros, Fim, de Fernanda Torres, Rio Olímpico, o tourbook do Barão vermelho, a biografia do Casagrande, entre outros. E as capas de revistas são inúmeras: Gente, Cult, Negócios, Rolling Stone, a extinta Bravo!, Serafina, Vip e Trip, entre outras. Inclusive uma Placar - ou seja, o cara faz gol em todas.

A fotografia de Daryan Dornelles  mostra que o corpo fala e ele tem essa assertiva ao clicar atores, atrizes, cantores, gente de todas as cores e representações artísticas.

“Estudo muito o que vou fazer antes de clicar, aliás, demoro muito mais tempo estudando e vendo referencias do que fotografando. Geralmente é bem rápido. Não sei se a foto fala, mas procuro fazer o que gostaria de olhar. Faço as fotos para mim e do jeito que quero - ou seja, bem ditador com as minhas imagens”, disse, rindo.

Não está descartada a possibilidade de Dornelles aparecer com um ensaio sobre a arquitetura antiga e moderna, os morros do Rio, a Lapa ou qualquer outro foco, até os mares do Nordeste.

"Quem sabe no futuro, mas sendo muito sincero, gosto de gente e de fazer retratos. Adoro contemplar o Rio, suas imagens belas, sem fotografá-los. Além do Rio e suas belezas naturais, São Paulo com sua arquitetura e essa coisa da cidade grande. E, por ultimo, os mares do Nordeste são insuperáveis, ainda mais com uma cerveja bem gelada”, resumiu.

Ele não é daqueles profissionais que só saem de casa com a máquina a tiracolo. E o casamento de Daryan Dornelles com a fotografia aconteceu sem padrinhos. Ele diz que não tem ninguém que tenha trabalhado com fotografias em sua família. E, mesmo com uma conta no instagram, ele não vive postando imagens aleatórias, só profissionais. "Preguiça mesmo. E tento preservar o meu cotidiano ao máximo”.

Relacionadas