domingo, 18 de fevereiro de 2018
Cultura
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Mais que corredores de livros, bibliotecas são incentivo à leitura

André Luiz Maia / 17 de julho de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Num mundo em que o Google responde quase todas as perguntas, as bibliotecas auinda fazem sentido? Educadores acreditam que sim: é um lugar importantíssimo para o incentivo da leitura, considerando que mais de 15 milhões de alunos no Brasil ainda estudam em escolas que não possuem uma, segundo o Censo Escolar.

“É preciso haver um local para acessar livros, não importa se o suporte seja impresso ou digital. Em Madri, já existe uma biblioteca que empresta tablets. O importante é que todos possam se tornar íntimos da ação da leitura”, afirma Christine Fontenelles, do Instituto Ecofuturo, à Revista Educação.

Uma lei federal determina que em 2020 todas as escolas de ensino fundamental e médio do Brasil tenham uma biblioteca. Fora da escola, para a população em geral, as bibliotecas públicas continuam aí. Como a Biblioteca Estadual Augusto dos Anjos, que fica em um prédio histórico com mais de 200 anos na Rua General Osório, no Centro de João Pessoa, cujo empréstimo de seu acervo de 28 mil livros é aberto a alunos das redes estadual e municipal, além de comerciários. A consulta e leitura no local, no entanto, é aberta para toda a população.

Já na Biblioteca Juarez da Gama Batista, da Fundação Espaço Cultural, não é preciso ser estudante para retirar livros. Ela tem cerca de 100 mil títulos disponíveis, um dos maiores arquivos do estado, além de livros, material de referência, arquivo de jornais e periódicos, dicionários em várias línguas, acervo em braille, para deficientes visuais, e material multimídia, como CDs e DVDs. No ano passado, teve sua reforma mais recente concluída.

“Cada pessoa pode pegar até três livros, por até 15 dias, podendo renová-lo por mais quinze. É preciso fazer um cadastro, bastando apenas um documento de identidade com foto e um comprovante de residência”, explica a diretora da biblioteca, Tatiana Cavalcante.

Além dos livros, há espaço para a realização de saraus poéticos, oficinas de leitura – em julho, estão sendo realizadas quatro – e, a novidade mais recente, espaços para RPG (role playing game, os jogos de interpretação de personagem). “Ganhamos dez máquinas novas, através de um convênio com a Fundação Bill e Melinda Gates, para dar acesso aos jogadores de RPG a jogadores de qualquer parte do mundo”, completa Tatiana.

Em João Pessoa existem ainda outras bibliotecas públicas. A biblioteca do Sesc é há décadas um ponto de parada para trabalhadores e estudantes do Centro. O cadastro para a empréstimo de livros é reservado a comerciários, mas o acesso para leitura e pesquisa no local é livre. A biblioteca também sempre tem eventos de incentivo à leitura e o movimento é maior na hora do almoço.

A Biblioteca Central da UFPB também só faz cadastro para estudantes, professores e estudantes da instituição, mas é aberta para a população para leitura e acesso aos eventos culturais que realiza, como exposições e sessões de filmes.

Ela foi implantada em 1976, em um prédio de três andares, de 8.500 m2. A biblioteca possui um site onde é possível consultar o acervo (www.biblioteca.ufpb. br).

Em Campina Grande, no início deste mês, teve sua principal biblioteca pública, a Félix Araújo, reaberta, depois de quatro anos de reforma. Ela fica na Rua Maciel Pinheiro, no Centro, na antiga Cãmara de Vereadores.

O acervo ainda não é tão grande (oito mil exemplares), mas o local dispõe de salas de leitura, salas para leitura em braile e outra para leitores infanto-juvenis, além de um auditório para 40 pessoas.

Campina também quatro bibliotecas comunitárias, organizadas pela Associação Raízes da Cultura (Assorac), sendo a maior delas no Mercado Público do bairro das Malvinas, bairro que ainda possui outro espaço. Junto com o acervo das bibliotecas dos bairros Mutirão e Três Irmãs, são ofertados mais de 20 mil títulos, frutos de doações da comunidade.

Qualquer morador de Campina Grande pode locar livros nas bibliotecas. O espaço ainda oferece aulas de dança, música, capoeira e desenvolve outros projetos culturais.

Para visitar

▶ Biblioteca Juarez da Gama Batista (Espaço Cultural, JP): seg. a sex., das 7h às 19h; sab., das 8h às 17h; dom., das 8h às 13h.

▶ Biblioteca Estadual Augusto dos Anjos (Centro, JP): seg. a sex., das 8h às 16h30

▶ Biblioteca do Sesc (Centro, JP): seg. a sex.: das 8h às 17h

▶ Biblioteca Central (UFPB, JP): seg. a sex.: das 7h30 às 22h; sab.: 7h30 às 12h30

▶ Biblioteca Municipal Félix Araújo (Centro, CG): seg. a sex., 7h30 às 18h30; sab., das 7h30 a 12h30

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