segunda, 19 de fevereiro de 2018
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Pernambucano Tunga morre mas deixa legado de arte filosófica

André Luiz Maia / 08 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Aclamado como um dos expoentes da arte contemporânea brasileira, Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga, faleceu na noite de segunda-feira. Ele, que estava internado desde o dia 12 de maio no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, lutava contra um câncer.

Considerado um dos maiores nomes da arte contemporânea nacional, ele batiza desde 2012 a Galeria Psicoativa Tunga, no Instituto Inhotim, com uma retrospectiva de seus 30 anos da carreira. Foi ele influenciou Bernardo Paz, empresário que idealizou o instituto mineiro, a investir em arte contemporânea.Natural de Palmares, Pernambuco, Tunga escolheu o Rio de Janeiro – local onde viria a desenvolver seus trabalhos enquanto escultor, desenhista e artista performático – para concluir o curso de Arquitetura e Urbanismo, na Universidade de Santa Úrsula.

Na capital fluminense, de acordo com o curador e artista visual Dyógenes Chaves, Tunga foi envolvido pelos artistas advindos do movimento cultural organizado ao redor da exposição Opinião 65, que buscava trazer um contraponto à arte brasileira da época. "Nós tínhamos uma base modernista fortíssima. Esse movimento, que era considerado neoconcretista, com artistas brasileiros como Hélio Oiticica e Lygia Clark, trouxe novo fôlego e incentivou o surgimento de artistas visuais contemporâneos no Brasil. Tunga foi um deles", explica Dyógenes.

Com uso recorrente de vidro, tranças, crânios e esqueletos, sua arte é provocativa e busca proporcionar reflexão sobre diversos temas, alguns deles bastante ousados, a exemplo da série de imagens do Museu da Masturbação Infantil, de 1974.

Da Paraíba, Tunga esteve próximo de artistas como Raul Córdula, Paulo Sérgio Duarte, Chico Pereira e Silvino Espínola, grupo que culminou no surgimento do Núcleo de Arte Contemporânea (NAC). "Na década de 1980, recebemos aqui na Paraíba as obras de Tunga e de outros artistas que fizeram parte da nata da arte contemporânea, algo importantíssimo para o surgimento de outras expressões artísticas aqui no Nordeste", completa o curador, que lembra da forte tradição da arte figurativa que o Nordeste carregava, fruto da cultura modernista.

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