segunda, 25 de setembro de 2017
Literatura
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Ronaldo Fraga autografa ‘Caderno de Roupas, Memórias e Croquis’ em JP

André Luiz Maia / 15 de julho de 2015
O estilista mineiro Ronaldo Fraga, internacionalmente reconhecido, há algum tempo percebeu que a moda pode e deve dialogar com outras artes. Seu método criativo desperta o interesse de aspirantes de moda, o que contribuiu para esgotar a primeira edição do livro Ronaldo Fraga: Caderno de Roupas, Memórias e Croquis (Editora Cobogó, R$ 120). Agora, ele vem a João Pessoa para lançar a segunda versão da obra.

Hoje, ele faz participa de um bate-papo fechado para convidados e estudantes de Design, realizado na Estação Cabo Branco. Amanhã, a partir das 19h, ele realiza uma sessão de autógrafos na Livraria Leitura do Manaíra Shopping, que está vendendo a nova edição do livro, que foi revista e ampliada. Além de uma capa diferente, foram incluídas cinco coleções que tinham ficado de fora, além do papel, antes fosco, ter sido modificado para uma melhor leitura.

Em Ronaldo Fraga: Caderno de Roupas, Memórias e Croquis, o leitor tem acesso ao criterioso processo de criação das coleções do estilista, através da reprodução dos sketchbooks, desde os primeiros rascunhos até a versão finalizada. Lá, Ronaldo registra cada ideia, do tema ao tecido, da paleta de cores às estampas.

Desde as coleções que referenciam da China à Disneylândia, das viagens de Gulliver às andanças de Mário de Andrade pelo Norte e Nordeste do Brasil, o livro revela as muitas inspirações de Ronaldo Fraga.

Além das coleções inspiradas em personagens como Zuzu Angel, Nara Leão, Lupicínio Rodrigues, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Pina Bausch, Athos Bulcão e também pelo Rio São Francisco, esta nova edição traz temas como o pintor Cândido Portinari, a cultura do Sertão, o futebol e o livro Ô Fim do Cem, Fim, do mineiro Paulo Marques de Oliveira.

Essa riqueza de detalhes talvez explique o sucesso da primeira edição, que esgotou em apenas em quarenta dias. “Foi tão rápido que eu não pude nem fazer essa rodada de lançamentos. Estou muito feliz de vir a João Pessoa para apresentar essa obra”, explica.

Sua ligação com a cidade se fortaleceu devido ao conceito mais recente de sua carreira, Fúria das Sereias, em parceria com o projeto Sereias da Penha, desenvolvido na Capital.

“Há um ano e meio, estava em João Pessoa apresentando os resultados de um trabalho e entrei em contato com esse projeto. A princípio, fui convidado para conhecer e participar de uma capacitação, mas então caí de amores e vi que era preciso fazer algo mais além”, afirma o estilista, que levou as artesãs das biojoias – feitas com pérolas, escamas de peixe e outros materiais da fauna e flora marinha – da praia da Penha para o São Paulo Fashion Week.

Além do talento no campo da moda, Ronaldo é um dos poucos nomes nacionais que apostam na intersetorialidade da arte, trazendo outras expressões para dentro do campo da moda.

“A moda vem passando por um processo no Brasil em que estabelece diálogo com outras frentes do design, como nunca tinha feito antes. Eu falo que ela vem se libertando cada vez mais da roupa. Nesse processo, estudar processos de criação tem despertado o interesse das pessoas”, analisa Ronaldo.

Em um mundo da instantaneidade e de recursos tecnológicos mais refinados, o desenho à mão livre vem sendo revalorizado. “Hoje, para ser um designer ou um arquiteto, não precisa saber desenhar, pois há programas de computador que fazem isso. No entanto, quem desenha consegue imprimir sua própria assinatura e personalidade no traço e isso é crucial para a moda, por exemplo”, pontua. Seus desenhos à mão livre ilustram, por exemplo, uma edição brasileira recente do livro Mary Poppins, de P.L. Travis, pela Cosac Naify.

Além disso, ele busca trazer elementos da arquitetura e do design para o contexto da moda. Para Fraga, o Brasil demorou a entender essa necessidade. “Há dez anos, quando eu comecei a estabelecer diálogos com decoração ou arquitetura, havia muito preconceito, principalmente do próprio meio da moda, por acharem que moda era roupa e apenas isso. Falar de cultura, de política, de história não era papel da moda. Hoje, eu vejo que o caminho que eu optei é o caminho que pode oxigenar e rejuvenescer esse setor, pois não vendemos apenas roupas, mas sim idéias, valores”, justifica.

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