terça, 18 de dezembro de 2018
Literatura
Compartilhar:

Novos poetas encontram oportunidade na Feira Literária

André Luiz Maia/do Rio de Janeiro / 30 de junho de 2016
Foto: André Luiz Maia
Os jovens escritores também têm a oportunidade de encontrar o público durante a programação paralela à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Na FlipZona – o braço jovem da Flip –, o sergipano Allan Jones, a paulistana Mel Duarte e o fluminense, natural de Paraty, Flávio Araújo, participaram da mesa Páginas Anônimas, da Casa de Cultura, com mediação da jornalista e atriz Bianca Ramoneda – que está na programação do espaço Sesc, no sábado, com a peça Inutilezas.

Durante a conversa, os três, cada um com vivências bem distintas, conversaram sobre como entraram no universo da poesia e como se relacionam com ela, tomando como base a palavra falada. Flávio lembra que sua referência é a convivência com a própria cidade de Paraty e a mitologia que a cerca, centralizada na figura do pai. “Ele era pescador e me contava histórias inimagináveis, de coisas que ele via durante suas viagens pela costa brasileira. Aquilo tudo era poesia pura e isso começou com a palavra dita, não escrita”, afirma. Na abertura, ele entrou recitando uma de suas poesias, um intrincado jogo de palavras com um sem-número de nomes de peixes e animais marinhos.

Allan Jones, que criou um blog (https://poemmas.wordpress.com/) e um canal no YouTube para divulgar sua obra, traz uma poesia baseada na oralidade e com um tom bem-humorado. “A gente recebe informações do mundo o tempo inteiro e não consegue digerir isso tudo. A poesia pra mim serve para isso, botar para fora aquilo tudo de outra forma, ingerir novamente e ir resolvendo pequenas equações”, analisa. Seu poema de abertura faz citação ao poeta Manoel de Barros, em uma declaração de amor inusitada.

Já Mel Duarte entra com uma poesia visceral e interpretação emocionada, algo que torna a poesia já interessante enquanto escrita maior ao ser falada. Isso tudo, ela conta, por ter se tornando poeta de fato ao participar de competições de spoken poetry (poesia falada), ouslam, e saraus. “Eu sempre vejo minha relação com a poesia como uma brincadeira com as palavras, que, ao serem ditas, se transformam e me transformam em outra pessoa”, pontua.

(O repórter está na Flip a convite do Itaú Cultural)

Relacionadas