quarta, 21 de fevereiro de 2018
Literatura
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Coleção Primeira Leitura retrata a história Anayde Beiriz

André Luiz Maia / 14 de Abril de 2016
Foto: Arquivo
A história de uma paraibana que marcou época é tema do próximo volume da coleção Primeira Leitura, da Patmos Editora. Anayde Beiriz em Quadrinhos será lançado hoje, e conta com roteiro de Sabrina Bezerra e ilustrações de Américo Filho. Vale lembrar que esta é a segunda HQ que conta a história de Anayde, sendo o anterior realizado pela ilustradora Luyse Costa.

Anayde era contista e poetisa na década de 1920, na capital paraibana, e se destacou na literatura por aderir ao que defendia a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo. Além disso, seus costumes considerados avançados para a época, desafiavam a sociedade, que não aceitava seu modo de vestir, seu jeito de andar e seu tipo de maquiagem.

Como muita gente sabe, seu nome acabou registrado nos livros de História por conta de um episódio político. Ela namorou João Dantas, que assassinou o então presidente – cargo equivalente a governador na época – da Paraíba, João Pessoa. O conteúdo de cartas amorosas trocadas entre Anayde e Dantas foram liberadas e se tornaram assunto público, um escândalo para a época.

No entanto, a HQ tenta desmistificar essa figura polêmica e mostrar Anayde como um ser a frente de seu tempo e, por conta disso, sofria retaliações por conta de sua opção em não se dobrar às normas sociais, que eram especialmente cruéis e castrativas em relação às mulheres.

“Anayde Beiriz segue na missão de gerar diferenças. É a primeira mulher a integrar a Coleção Primeira Leitura que chega ao seu décimo volume. Foi uma jovem que, humilde na sua origem e vida, conseguiu alcançar, por momentos, os degraus da escada social, quebrando paradigmas e afirmando uma personalidade que a fez participar dos círculos culturais da sua época”, conta o diretor da coleção, Carlos Roberto, em material de apresentação.

Ele acrescenta: “A revolução que Anayde abraçou foi cultural. Lutou contra a limitação social das mulheres e o preconceito que as humilhava. Na maneira de andar, de vestir, na maquiagem e no corte de cabelo, e ainda, nos beijos e abraços trocados à luz do dia nos espaços públicos, ela inquietou a sociedade conservadora do seu tempo”.

 

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