quinta, 22 de fevereiro de 2018
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Álbuns mostram que encarar quadrinhos como ‘coisa de homem’ é uma ideia velha

Renato Félix / 10 de agosto de 2016
Foto: Divulgação
O universo dos criadores de histórias em quadrinhos ainda é tido por muitos como um "clube do Bolinha". Mas essa é uma ideia já ultrapassada. Cada vez mais mulheres surgem com talento no traço e nos roteiros, tanto no Brasil quanto no exterior. Três lançamentos recentes reforçam essa ideia: Placas Tectônicas, da francesa Margaux Motin; Uma Morte Horrível, da francesa Pénélope Bagieu; e Entre umas e Outras, da americana Julia Wertz.

As três escrevem e desenham em seus álbuns. Duas (Margaux e Julia) criaram HQs autobiográficas sobre fases específicas da vida de cada uma. Em Placas Tectônicas, Margaux Motin parte do fim de um relacionamento para mostrar a reconstrução de sua vida, junto com a filha pequena, e sua inaptidão à nova vida de solteira. Seus ótimos desenhos ilustram praticamente uma sequência de cartuns e sequências curtas sobre suas situações do cotidiano. Um trabalho que lembra, pelo tema e pela forma narrativa, o da argentina Maitena. Há detalhes interessantes, como o uso de fotografias nas quais ela faz algumas intervenções com seus desenhos.

Já Julia Wertz conta seus meses iniciais em Nova York logo depois de se mudar de sua San Francisco natal. O choque cultural foi só o começo: Julia expõe sua persona como tendo uma resistência natural à maturidade e uma proximidade grande com a bebida vivendo dias de pouquíssima grana e nenhum rumo na vida. Enquanto Margaux narra suas desventuras na casa dos 30, a fase que Julia retrata de si mesma é na casa dos 20. Seu humor é autodepreciativo e corrosivo.

Pénélope Bagieu. por sua vez, narra uma história ficional. Sua protagonista Zoé é uma mulher que tem uma péssima vida: um namorado bruto e desiteressado, um trabalho ruim como garota-decoração em uma exposição de carros. Um dia, por acaso, conhece um curioso homem que vive recluso. Ele é um escritor que já fez sucesso, mas hoje vive um bloqueio criativo. O encontro vai fazer revelações há muito guardadas surgirem.

São três obras bastante diferentes entre si, mostrando que também há variedade nas HQs escritas e desenhadas por mulheres. Aliás, a própria arte dos quadrinhos sofre com esse desconhecimento de sua variedade.

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