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Gibiteca Henfil: a sala de justiça dos leitores paraibanos

Renato Félix / 14 de agosto de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
Em dezembro de 1990, as opções para os leitores de histórias em quadrinhos em João Pessoa resumiam-se às bancas de jornais. Não havia nada especializado, que servisse também como um ponto de encontro que reunisse essa turma, numerosa, mas fadada aos papos nas esquinas de suas vizinhanças. Então, surgiu a Gibiteca Henfil, capitaneada por Henrique Magalhães, quadrinista, professor e editor da Marca de Fantasia. Ela funcionou no Espaço Cultural por 10 anos, como um ambiente de leitura, colocando à disposição quadrinhos clássicos e se tornando o epicentro para o encontro de várias turmas da cidade que curtiam quadrinhos e outros temas da cultura pop.

Era como a Sala da Justiça dos Superamigos. É hora de matar a saudade e de um novo público conhecê-la: a Gibiteca Henfil será reinaugurada hoje, novamente no Espaço Cultural.

A reabertura é às 19 horas e engloba a primeira edição do Encontro Regional sobre Histórias em Quadrinhos, que vai até domingo e faz parte do Agosto das Letras. Dois personagens paraibanos clássicos também estarão lá: Maria, de Henrique Magalhães, ganha um novo álbum, Maria – Quarentona, mas com Tudo em Cima; e o herói Flama, de Deodato Borges, tem a histórica primeira edição de As Aventuras do Flama (a primeira HQ publicada no Nordeste, em 1963) relançada.

“Quando a reforma acabou e retornamos ao Espaço Cultural, apresentei à presidência a necessidade de se criar uma gibiteca no lugar”, conta Thais Gualberto, coordenadora da área de quadrinhos da Funesc. “A intenção era de criar uma nova, para preencher a lacuna que ficou quando a Henfil teve que sair. Contudo, quando soube da situação em que estava guardado o acervo e as perdas que vinham ocorrendo por esse motivo, foi feita a proposta à Associação Marca de Fantasia para que a Gibiteca Henfil pudesse voltar para o seu lugar de origem”.

Nesse meio tempo, a Gibiteca foi transferida para a UFPB, primeiro para o Departamento de Comunicação, depois para o Mestrado em Comunicação. “O objetivo era abrir a Gibiteca com prioridade à pesquisa, mas não houve boa recepção”, conta Henrique. “A volta ao Espaço Cultural é o retorno à sua origem, não só pela localização, que considero ideal, mas quanto ao seu princípio de estimular a leitura ao mesmo tempo que auxilia a pesquisa. A diferença é que agora a implantação da Gibiteca Henfil é uma iniciativa do Espaço Cultural, que se responsabilizará por seu funcionamento”.

O local, que ocupava um dos antigos boxes do Espaço Cultural, tinha dimensões modestas, mas viveu grandes momentos. “Foram muitos momentos importantes, como o resgate da obra de Luzardo Alves, com lançamento de álbum pela Marca de Fantasia e exposição, a passagem de jovens quadrinistas, que mais tarde se confirmaram como grandes artistas, a participação numa das edições do festival Mostrazine, que acolhemos em nossa sede, etc”, lembra Henrique. O local recebeu até reuniões do bloco Cafuçu, que estava nos primeiros anos e ainda desfilava na orla.

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