terça, 17 de julho de 2018
Cultura
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Festival Internacional de Arte Naif prestou uma homenagem a Clóvis Junior

André Luiz Maia / 30 de maio de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Acaba hoje o Festival Internacional de Arte Naïf de Guarabira (Fian) e os organizadores têm motivos para comemorar. O evento contou com a presença de dezenas de artistas brasileiros especializados na técnica artística que evoca a cultura interiorana e o universo lúdico e imaginativo da infância em pinturas e desenhos. Somente na abertura, 44 artistas passaram pelo Centro de Documentação Coronel João Pimentel (Cedoc), onde está sendo realizada a primeira edição do festival.

Ao todo, são 103 obras expostas durante o festival, de artistas de 13 países distintos. A curadoria ficou por conta de Augusto Luitgards, um dos maiores colecionadores de arte popular do Brasil; Mairone Barbosa, que por muitos anos ficou à frente do Museu de Arte Contemporânea de Goiás; e Robson Xavier, professor da UFPB e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Dentre os nomes selecionados, estão Helena Vasconcelos, Ivone Mendes, Valdomiro de Deus, Omar Souto, Nilson Pimenta (in memoriam), Olímpio Bezerra, Lúcio Laranjeira, Rosângela Politano, dentre outros.

As obras retratam a pluralidade do que cabe dentro do significado “naïf”, que se prova mais amplo. “Existe uma concepção de que a arte naïf é um estilo único, com traços semelhantes ao de desenho infantil. No entanto, o termo abarca uma diversidade de abordagens. Há artistas com traços mais rústicos, mas também encontramos nomes que apresentam um refinamento único em suas obras”, argumenta Adriano Dias, coordenador do Fian.

O evento partiu do desejo de Adriano em realizar uma mostra de arte naïf no Nordeste, um movimento ainda incipiente, apesar da pluralidade de artistas que trabalho com esse tipo de arte na região. “Eu notava que ficávamos no escanteio. Eu tinha a ideia de fazer um evento do tipo desde 2013, quando visitei a Polônia e encontrei iniciativas muito interessantes, além de entrar em contato com diversos artistas de outras partes do mundo”, relembra o artista.

O Fian acaba sendo o resultado de uma onda que se alastrou pelos últimos dois anos. Até 2017, praticamente só havia a Bienal Naïfs do Brasil, realizada em Piracicaba (SP). “No ano anterior, alguns estresses entre os artistas e a curadoria da bienal fizeram com que várias iniciativas independentes fossem surgindo em várias partes do país”, relata Adriano.

Por conta dessa dissidência, houve em um mesmo ano mostras nas cidades de Goiânia (GO), Mogi das Cruzes (SP), Socorro (SP), Búzios (RJ) e Vila Velha (ES).

O homenageado da edição é Clóvis Junior, nascido em Guarabira. “Clóvis é um filho da terra que possui um legado que fala por si só. Seria estranho se o primeiro festival de arte naïf realizado em sua terra natal não o elegesse como grande homenageado”, completa.

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