quinta, 19 de julho de 2018
Cinema
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Figuras paternas: cineasta Cláudio Assis fala ao CORREIO sobre ‘Big Jato’

André Luiz Maia / 26 de junho de 2016
Foto: Divulgação
ida, de ser um adulto bem-sucedido? Aquele que conquistou tudo o que quis com a dureza do trabalho ou o que abdicou de tudo em busca de seus sonhos e se autodeclara livre? Em Big Jato, novo filme do diretor pernambucano Claudio Assis, assistimos a essa dilema entre pontos de vista sob a ótica do pequeno Francisco (Rafael Nicácio e, na adolescência, por Francisco de Assis). O filme tem previsão de estreia amanhã em João Pessoa, no Cine Bangüê.

Adaptação do livro de mesmo nome escrito por Xico Sá, com roteiro de Hilton Lacerda (diretor-roteirista de Tatuagem) e Anna Carolina Francisco, a história mostra o amadurecimento de um garoto nordestino que constrói sua personalidade diante de três figuras paternas: seu pai Francisco, o bruto trabalhador que comanda uma empresa de limpeza de fossas, o tio Nelson, figura anárquica e completamente idealista, e um homem da pequena cidade em que mora, autointitulado Príncipe, que compartilha suas histórias amorosas com o garoto.

A história tem porções generosas da trajetória real do escritor Xico Sá, embora Claudio afirme que não se trata exatamente de uma autobiografia. A relação dos dois começou ainda em Recife. “Xico é padrinho de um filho meu, também chamado Francisco. Somos amigos há bastante tempo. Quando ele saiu do sertão do Ceará para Pernambuco, eu também estava saindo do interior, em Caruaru, e indo para o Recife. Por essa história em comum, nos tornamos amigos. Sempre quisemos fazer um trabalho junto, até chegar a conclusão de que seria, finalmente, esse”, conta Claudio Assis ao CORREIO.

O elenco, além da paraibana Marcélia Cartaxo, conta com a participação de Jards Macalé, no papel de Príncipe, e uma dobradinha de Matheus Nachtergaele, que interpreta tanto Francisco quanto Nelson.

“Decidimos colocar o Matheus para fazer os gêmeos, pois, na verdade, eles são como almas que se completam. Um acredita no trabalho, só em quem sua a camisa, e o outro acredita na poesia. Ainda assim, o tio tem um lado vagabundo, que não presta, enquanto o pai, mesmo fazendo o tipo de machão nordestino, também tem sua leveza. São dois personagens que, na verdade, são um só”, aponta.

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