quarta, 18 de outubro de 2017
Cinema
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Coleção relança em DVD cinco clássicos do expressionismo alemão

Renato Félix / 18 de junho de 2017
Foto: Divulgação
Um dos primeiros longas fundamentais da história do cinema, O Gabinete do Doutor Caligari (1920), quase centenário, não chega a ser uma novidade em DVD. Mas as cópias existentes eram invariavelmente sofríveis em qualidade, parecendo refletir a idade física do material.

O público certamente se sente assistindo a outro filme com a nova cópia restaurada em 4k incluída na caixa Expressionismo Alemão, que reúne cinco filmes de 1920 a 1929 em três DVDs. Entre eles, três são clássicos absolutos: além de Caligari, de Robert Wiene, Fausto (1926), de F.W. Murnau, e A Caixa de Pandora (1929), de G.W. Pabst.

Outros dois são menos conhecidos, mas de grandes diretores: O Castelo Vogelöd (1921), também de Murnau, e A Morte Cansada (1921), de Fritz Lang. Todos, porém, com cópias restauradas, proporcionando uma riqueza de detalhes na imagem nunca vista no Brasil para esses filmes, nesse formato. E, claro, como filmes mudos que são, a imagem é fundamental. Com isso, melhora o nível de envolvimento do espectador com as histórias, sempre tensas e se valendo do forte contraste entre luz e sombra.

No caso de Caligari, um sonâmbulo que é atração de uma feira itinerante é enviado por seu mestre para cometer assassinatos à noite. Mesmo com prólogo e epílogo imposto por produtores, seus cenários tortos são projeções psicológicas inesquecíveis de uma mente tortuosa.

Extras trazem documentário

Os dois filmes de Murnau mostram momentos diferentes da carreira do cineasta. O Castelo Vogelöd é de um ano antes de um dos principais filmes do diretor, Nosferatu. Como diretor, foi seu oitavo filme, mas em dois anos de carreira no ofício. Fausto, no entanto, mostra um realizador completo, entregando imagens impressionantes e efeitos idem. Foi seu último filme na Alemanha, antes de ir para a América, onde entregou mais uma obra-prima, Aurora, e outros três filmes antes de morrer em um acidente automobilístico em 1931. A Morte Cansada também é o oitavo filme de Lang como diretor, e também em dois anos de carreira na função.

Uma série de grandes filmes viria na sequência, culminando em Metrópolis (1926), mas A Morte Cansada goza do prestígio de ter sido um dos preferidos de Alfred Hitchcock. Foi restaurado em 2k em 2016, a partir de cópias de diversas fontes e com cartelas reconstruídas. Já A Caixa de Pandora é o “mais recente” da coleção. Já nos estertores do cinema mudo. Tem uma das grandes musas do cinema mudo, a americana Louise Brooks, com o corte de cabelo que marcou o cinema e a interpretação de uma dançarina sensual e trágica.

Além das novas cópias restauradas pelo Instituto Murnau, a caixa traz como extra o documentário De Caligari a Hitler, de 2014, um grande panorama sobre o movimento.

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