segunda, 19 de fevereiro de 2018
Cinema
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Cinema de Babenco é aquele em que os desprezados são os protagonistas

Renato Félix / 15 de julho de 2016
Foto: DIVULGAÇÃO
Há muitas situações e personagens no Brasil para os quais em que os "homens de bem" preferem virar a cara. Mas Hector Babenco, argentino que é um dos principais cineastas brasileiros e que morreu quarta à noite, aos 70 anos, as escancarou em seus filmes. Crianças "em situação vulnerável", como se diz hoje ("pivetes", como se dizia na época), presos políticos, miseráveis, presidiários foram para onde as cãmeras de seus principais filmes apontaram.

Babenco sofreu uma parada cardíaca no final da noite de quarta, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Nascido em Mar del Plata, saiu da Argentina nos anos 1960 e chegou ao Brasil em 1969. Foi alfaiate, vendedor de enciclopédias e fotógrafo de restaurantes antes de filmar seus primeiros documentários, em 1972.

Seu primeiro longa, O Fabuloso Fittipaldi (1973), dirigido com Roberto Farias, enfocava o brasileiro campeão do mundo de Fórmula 1. Dois anos depois dirigiu Paulo José e Marília Pêra em O Rei da Noite. O seguinte, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) se tornou um dos maiores sucessos de público do cinema nacional, um filme político sobre um notório assaltante de bancos.

1981 foi o ano de Pixote – A Lei do Mais Fraco, um soco no estômago ao retratar um garoto que precisa enfrentar a terrível luta de sobreviver nas ruas e a passagens pela Febem. O filme se tornou um sucesso não só no Brasil: foi indicado ao Globo de Ouro de filme de língua não inglesa, foi o melhor estrangeiro do ano pelas associações de críticos de Nova York e Los Angeles e Marília Pêra foi eleita a melhor atriz do ano pela National Society of Film Critics.

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