domingo, 20 de maio de 2018
Cinema
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‘Bruxa de Blair’ não é relançamento, nem refilmagem, é uma continuação

André Luiz Maia / 14 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
A onda de reboots, as reinicializações de franquias de sucesso do passado com nova roupagem, estão populares em Hollywood e, com o anúncio de um novo filme para A Bruxa de Blair, o que se esperava é que essa produção seguisse a mesma cartilha de filmes que ainda irão estrear, a exemplo dos novos O Chamado e A Coisa (do livro de Stephen King). No entanto, Bruxa de Blair, que estreia hoje nos cinemas, não é um reboot.

Depois de 16 anos do filme original e – e quinze da malfadada sequência A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras –, este novo traz uma sequência da história original. Na trama, Peter (Brandon Scott) busca pistas sobre o desaparecimento de sua irmã, que participara de um documentário sobre lendas das florestas de Maryland e desapareceu junto com sua equipe sem deixar rastros (que é a história vista no filme original).

Anos depois, com a ajuda da internet, Peter descobre uma nova pista e decide ir por conta própria para a floresta ao lado de seus amigos com todos os aparatos tecnológicos possíveis para tentar encontrar o paradeiro da irmã. O problema é que nem todos os recursos hi-tech os preparariam para as forças ocultas que se escondem naquele lugar.

O recurso de found footage (o filme é de novo narrado como se fossem imagens de um vídeo encontrado, todo em primeira pessoa) é desta vez atualizado. Ao invés de uma câmera de mão, há diversas delas espalhadas pelo local, além de um drone.

Em Bruxa de Blair, o elenco foi orientado pelo diretor Adam Wingard a seguir os mesmos passos da produção original, que emulava a estrutura de um documentário real. A produção também foi feita em segredo, filmado com o título falso de The Woods, inclusive na exibição do filme, na Comic-Con de San Diego.

Dentro da programação, foi anunciado que The Woods seria exibido, inclusive com cartazes e material de divulgação falso. Quando a sessão começou e os espectadores souberam do que se tratava de verdade, os cartazes do lado de fora da sala foram trocados para Bruxa de Blair, revelando a produção para o público da convenção.

Originalmente, o título em inglês do filme de 1999 era The Blair Witch Project, enquanto este novo se chama apenas Blair Witch. No Brasil, a mudança foi ainda mais sutil, suprimindo apenas o artigo inicial "a", o que indica a intenção de atrair os fãs do primeiro filme que não gostaram do segundo.

Não é uma novidade no mundo do cinema. Recentemente, um exemplo claro são os filmes de Alice, dirigidos por Tim Burton. Apesar de ambos utilizarem os títulos originais dos livros, Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho tem histórias bem diferentes das contadas nas iobras de Lewis Carroll, com os mesmos personagens, mas uma Alice adulta.

Do ponto de vista cinematográfico e até mesmo comercial, é uma estratégia complicada, pois engana o espectador, que acredita que verá uma nova leitura para a história que já conhece, ao invés de algo completamente novo. Essa tentativa de dar uma "sensação de novidade" e não de continuação pôde ser vista em títulos tão diferentes como Os Muppets (2012, continuação de The Muppet Movie, 1979) ou Jason Bourne (2016, quarto da série inciada com A Identidade Bourne, 2002)

Apesar disso, algumas críticas preliminares teceram elogios por preservar o espírito do filme original, mas ao mesmo tempo atualizá-lo para o contexto contemporâneo. Resta assistir e tirar as próprias conclusões.

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