segunda, 19 de fevereiro de 2018
Cinema
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‘Adèle’ está de volta com o drama Os anarquistas, em cartaz no Banguê

André Luiz Maia / 19 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Revelação do cinema em 2013 ao protagonizar La vie d’Adèle, ou, como ficou em português, Azul É a Cor Mais Quente, a atriz Adèle Exarchopoulos está novamente em cartaz nos cinemas como uma das protagonistas de Os Anarquistas, de Élie Wajeman, que já está em cartaz no Cine Banguê do Espaço Cultural. Em 2014, ela já havia estrelado o filme Inseguro, de Marianne Tardieu, mas sem a mesma repercussão. Agora, ela volta no drama que usa como pano de fundo o movimento anarquista. Em 1899, um grupo revolucionário quer o fim da burguesia e, mais ainda, do Estado.

A polícia, braço bélico desse mesmo Estado, precisa encontrar meios de apagar esse “incêndio” antes que se alastre e ganhe força. Para isso, recruta Jean (Tahar Rahim, que apareceu pelos cinemas daqui interpretando um “brasileiro” no filme francês Samba), que se infi ltra no grupo para informar a seus superiores as movimentações dos anarquistas.

O grupo, liderado por Eugène (Guillaume Gouix), vive em uma grande casa, palco de discussões acaloradas sobre as condições de trabalho dos operários das fábricas em pleno século XIX, explorados de todas as maneiras, ao mesmo tempo em que se mostram descrentes em relação ao comunismo ou socialismo, afirmando que nenhum sistema garantiria mais direitos aos trabalhadores. Mas, apesar de tomar esse contexto como ponto de partida da história, é o romance que toma as rédeas da narrativa.

Em um conflito interno por estreitar os laços de amizade com aqueles que deveria dedurar, Jean se vê sem saída ao encontrar a paixão na bela Judith, personagem de Exarchopoulos. Por sinal, é ela quem abre o filme, em uma espécie de entrevista, na qual explica as razões que a fi zeram aderir à ideologia anarquista. E é essa paixão que atrai Jean a um caminho sem volta. As principais críticas ao filme se concentram na falta de objetividade do roteiro, pois, ao mesmo tempo em que se ancora em um contexto político real, que renderia desdobramentos, também não traz ganchos que fujam do clichê clássico que envolve histórias de membros infiltrados em grupos de insurgência.

A fotografia investe de maneira pesada em cores frias, uma névoa que cerca todos os ambientes e uso abundantes de planos fechados, que não dão a dimensão de Paris em plena Revolução Industrial – muito deste excesso devido ao baixo orçamento da produção. Apesar disso, há elogios à atuação de ambos os protagonistas. Em algumas críticas, há uma reprimenda ao diretor, que poderia ter aproveitado melhor o talento de Adèle para o drama, pois havia um esforço maior em torná-la uma sex symbol do que desenvolver seu personagem. Já a atuação de Tahar Rahim, que vem em um momento de franca ascensão de sua carreira, é elogiada por sua versatilidade e maturidade artística. Além do já mencionado Samba, também teve o reconhecimento da crítica ao estrelar O Profeta, de Jacques Audiard.

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