terça, 25 de setembro de 2018
Cinema
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Abbas Kiarostami e Michael Cimino que marcaram o cinema com estilos próprios

Renato Félix / 06 de julho de 2016
Foto: Divulgação
De maneira diferente na abordagem e na trajetória, eles eram dois mesres que o cinema perdeu em cerca de 72 horas: Michael Cimino e Abbas Kiarostami. O primeiro, nova-iorquino, morreu no sábado, aos 77 anos, em Los Angeles; o segundo, iraniano de Teerá, morreu segunda, aos 76, em Paris.

Kiarostami é muito querido por críticos e cinéfilos: ele foi o ponta-de-lança do cinema iraniano, especialmente do neo-realismo de lá, que muitas vezes confunde e mistura ficção e realidade nos filmes, borrando esses limites.

Seus filmes buscam reduzir o uso dos artifícios do cinema. “Acima de tudo, tento eliminar o diretor. Mas isso não significa eliminar o autor”, disse, em entrevista à série documental A HIstória do Cinema - Uma Odisseia. Essa descoberta se deu com Onde Fica a Casa do Meu Amigo (1987) e ganhou o mundo com Através das Oliveiras (1994). Outros filmes como Gosto de Cereja (1997), Dez (2002) e Cópia Fiel (2010; este já na Europa e com Juliette Binoche) consagraram um estilo muito pessoal de fazer cinema.

Já Cimino foi marcado pela glória e a queda. Do mindo da propaganda e dos documentários, escreveu o roteiro de Magnum 44 (1973) e ganhou do astro Clint Eastwood a oportunidade de dirigi-lo em O Último Golpe (1974).

Seu segundo filme, no entanto, foi O Franco-Atirador (1978), que ganhou cinco Oscars, incluindo filme e direção. Um poderoso olhar sobre a ferida aberta da Guerra do Vietnã.

Mas seu filme seguinte foi a queda. O ambicioso faroeste O Portal do Paraíso (1980) que custou caríssimo e passou das 3h30 de duração. Foi um fracasso que quase levou a United Artists à falência. Cimino só voltaria a dirigir cinco anos depois com O Ano do Dragão (1985), e assinou apenas mais três filmes depois. Alguns muito bons, mas sua carreira nunca mais foi a mesma.

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