quinta, 22 de fevereiro de 2018
Cultura
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‘As Ceguinhas de Campina Grande’ serão homenageadas no Museu dos Três Pandeiros

André Luiz Maia / 26 de agosto de 2016
Foto: TALITTA UCHÔA/ DIVULGAÇÃO
As três irmãs cegas de Campina Grande ganharam repercussão nacional no início da década passada, por conta do documentário A Pessoa É Para o que Nasce, de Roberto Berliner. Hoje, mais de dez anos após essa virada na vida delas, Maroca, Poroca e Indaiá são homenageadas pelo Museu dos Três Pandeiros, dentro do evento Sextas Musicais, a partir das 19h. Além delas, se apresentam na homenagem Adília Uchoa, Gitana Pimentel, Arthur Pessoa, da banda Cabruêra, além de Rodrigo, da banda Dona Treta.

A ideia é fazer com que o público possa ouvir o trabalho das Ceguinhas, além de mais detalhes sobre a história de vida das irmãs. Cegas de nascença, as três trabalharam na lavoura desde crianças, alugadas como mão de obra temporária pelo próprio pai, que era alcoólatra.

Depois de sua morte, as três passaram a se apresentar pelas ruas de Campina Grande, tocando ganzá e cantando emboladas. "Eu lembro que as pessoas paravam pra nos ver e nos ajudavam, davam algumas moedas", relembra Maroca, a irmã do meio, atualmente com 72 anos. Com as doações, sustentavam 14 parentes.

Mas nem tudo foi alegria. Durante as andanças pelo Nordeste – elas acabaram transitando por diversas cidades como pedintes –, também sofreram maus-tratos. "Judiavam da gente por sermos cegas, batiam na gente. Colocava coisa na bacia, pra gente achar que era dinheiro, mas era papel, pedra", relata Maroca.

A homenagem vem em boa hora, pois as três se queixam do esquecimento. "As pessoas esqueceram da gente. A gente ainda quer muito tocar por aí, temos vontade mesmo", afirma Maroca. Até hoje, guardam boas memórias da turnê que fizeram por várias cidades do país, após a repercussão do filme. "Em Salvador, fomos muito aplaudidas. Foi muito especial. Temos muita saudade desse tempo", ressalta.

Apesar disso, tentam carregar consigo as melhores lembranças possíveis. Poroca, a mais velha, de 73, preferiu não falar, mas a mais jovem, Indaiá, de 65 anos, fala das músicas que as três aprenderam ao longo dos anos e que gostam de tocar até hoje. "Nessa homenagem, a gente quer cantar não só 'Atirei no mar', mas também 'Coco do leão', 'Mangueira nova', 'Coco da jurema preta', muitas outras que a gente gosta", explica.

Homenagem a Maroca, Poroca e Indaiá

Hoje, às 19h. No Museu de Arte Popular da Paraíba (R. Dr. Severino Cruz, Centro, Campina Grande – 3310.9738).

Entrada franca

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