terça, 18 de dezembro de 2018

Renato Félix
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Voltando à cidade dos sonhos

01 de novembro de 2017
Uma nova série de Twin Peaks disponível na Netflix, continuação da série de 1990, mostra o poderio narrativo de David Lynch. Misturando mistério, humor, jogos psicológicos e pura maluquice, Lynch cria um universo fascinante que hipnotiza mais pela esquisitice que pelo andamento da narrativa ao longo de seus 18 episódios.

Parece adequado, nesse contexto, que o público possa ver pela primeira vez ou revisitar no cinema uma das grandes obras do diretor: o antológico Cidade dos Sonhos (2001). Rebatizado com seu título original, Mulholland Drive – Cidade dos Sonhos volta aos cinemas nos lançamentos de clássicos da Zeta Filmes e já entra em cartaz em João Pessoa amanhã, no Cine Banguê.

Eu me lembro bem de quando o filme passou pela primeira vez na cidade: foi exibido em 2002 no então Cinesercla do MAG Shopping, primeiro multiplex da Paraíba, inaugurado naquele ano. Meu comentário ao sair do cinema foi "Acho que não entendi, mas adorei".

Não demorou uma semana para estar de novo no cinema, pronto para mergulhar naquele universo meio cifrado, sedutor, fascinado pela Hollywood clássica, acompanhando a jornada das personagens de Naomi Watts e Laura Elena Harring que, de repente, pareciam ser outras pessoas, com outros nomes.

A narrativa misturava sonho, memória e realidade, com elementos-chave para passar de um a outro. Na segunda vez, peguei um elemento que tinha passado despercebido e o filme ganhou outro sentido, ficando mais claro. E ainda mais saboroso.

Hoje em dia, Cidade dos Sonhos já aparece em listas conceituadas dos melhores de todos os tempos e lidera a lista da BBC dos melhores do século XXI. Revê-lo (ou descobri-lo) no cinema é oportunidade para não perder.

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