terça, 20 de fevereiro de 2018

Renato Félix
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Treino é treino, trailer é trailer

07 de Fevereiro de 2018
Antigamente trailer se assistia no cinema. Você ia assistir ao seu filme e, sem aviso, era surpreendido pela prévia de uma produção que você estava aguardando com ansiedade (ou descobria um lançamento futuro interessante, que entrava para sua lista de "a ser visto"). Era uma emoção.

Atualmente, as redes sociais são a plataforma de lançamento dos trailers, com dia marcado. Ainda é uma emoção ver a primeiras imagens de um filme aguardado, mas diferente, foi-se o impacto da surpresa, substituído pela adrenalina da espera.

Mas os trailers não são os filmes, e atualmente, mais do que nunca, são quase produções "à parte". Ver um trailer de um filmes dos anos 1930, por exemplo, pode ser uma experiência interessante. São coleções de cenas dos filmes sem muita edição. Eram realmente uma prévia do que viria.

A "arte do trailer", que consistia em usar cada vez mais o poder da edição, começou a ganhar corpo nas décadas seguintes. Nos anos 1980, embora com ritmo mais acelerado, o espírito ainda era o mesmo. Mas comecei a perceber uma estranheza quando "Under pressure", do Queen, foi usada ostensivamente no trailer de Adaptação (2002) e nem sinal dela no filme.

Atualmente, os trailers são quase peças de ficção em relação ao próprio filme que vendem. Personagens falam e outros, de outra cena, respondem, criando um diálogo que não existe. Grande música é usada para construir um clima que esconde a ruindade do filme em si, como aconteceu em Esquadrão Suicida (2016).

Esta semana saiu o primeiro trailer de Han Solo. Aguardado, como tudo da franquia Star Wars, economiza nessas pegadinhas, mas ainda não dá pra apostar tanto.

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