segunda, 11 de dezembro de 2017

Roberto Cavalcanti
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Tirando o chapéu

26 de outubro de 2017
Vem do tempo do chapéu, como outros hábitos que desapareceram com o tempo. O meu pai deixou de usar. O meu avô morreu com um na cabeça, literalmente. E até hoje se faz referência a alguém, ou algum fato merecedor de cumprimento, dizendo “tiro o chapéu”.

Hoje, me dedicarei a uma atividade empresarial que considero a mais difícil de completar, em razão da complexidade do seu ciclo. Posso testemunhar porque, como consumidor, faço parte de sua cadeia econômica.

Não assumo domesticamente, no meu cotidiano, a tarefa de abastecer a casa com frutas. Posso até ter comprado, acidentalmente em uma estrada ou supermercado, pelo impulso visual que uma bela fruta aciona. Já em viagens, abraço esse encargo.

Fui criado em uma casa que cultuava o hábito de servir frutas em todas as três refeições básicas, costume com origem na casa da minha avó materna, Engracia, que morava em um grande sítio no bairro do Derby, em Recife. Lá, por medida de economia, ela servia salada de frutas oriundas das suas próprias fruteiras.

Minha mãe, Beatriz, narrava com seu espírito galhofa, que sua salada era “diversificada” de acordo com a estação. Uma era feita com manga rosa, manga espada, manga primavera e manguito, além de algo para fazer o suco.

A regra de minha avó era: se havia frutos, não haveria desperdício. Creio que herdei dela essa consciência.

Como é fácil o consumidor exigir, na ponta comercial, uma boa fruta. Compre e acompanhe a fragilidade de sua vida útil.

Diferentemente de um produto industrializado, não há necessidade de ter um prazo de validade estampado. Está na cara. Sua maturação é óbvia. Nada mais perecível do que uma fruta.

Já imaginou o que está por trás de todo o seu ciclo? Plantar, dar tratos específicos para cada uma delas, adubar, irrigar ou rezar - e a chuva terá que ser na quantidade e hora certa -, colher, embalar, estocar, expedir para os canais de distribuição, com logística que exige muitas vezes transporte climatizado. E, finalmente, colocar nas prateleiras.

Não conheço atividade empresarial cuja cadeia seja tão complexa. Nada pode falhar. São dezenas de etapas a serem cumpridas com máxima precisão. Imagine trabalhar com todos esses fatores imponderáveis, no Brasil. Basta o bloqueio de uma estrada – que virou opção em protestos – para comprometer todo o planejamento.

Infelizmente, temos muitos outros obstáculos a superar no Brasil, que vão desde a falta de infraestrutura até o descompromisso de fazer a coisa certa, uma cultura que faz a diferença no competitivo mercado global.

Sempre quis fazer alguma referência elogiosa ao segmento da fruticultura. Hoje faço, mesmo que tardiamente.

E hoje, tiro o meu chapéu para um empresário que considero o mais completo nessa desafiante atividade. Quando digo completo, faço referência à superação de dificuldades e ao reconhecimento de todo o setor pelo seu sucesso.

Tiro o chapéu para Roberto Cavalcanti, meu xará.

Tiro o chapéu para Roberto Cavalcanti de Morais, um vencedor. Exportador de nossas frutas para o mundo.

Ao segmento, minha admiração; a Roberto, acrescento o meu profundo respeito por todas as suas vitórias, por seu pioneirismo, e, principalmente, por sua elegante simplicidade.

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