terça, 12 de dezembro de 2017

Renato Félix
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Telegrama do Alabama

19 de julho de 2017
Faço piada até com o que gosto muito e estava pensando nisso estes dias ouvindo uma música de Jorge Ben Jor.

Acho muito engraçada a história do cineasta Cacá Diegues, de que pediu ao Ben Jor (na época, ainda só Jorge Ben) uma canção para o tema do filme Xica da Silva (1976). Rabiscou um resumo da história num papel e mandou para o músico. E a música que voltou era aquela história rabiscada mesmo, do mesmo jeito, musicada: sem rima, nem estrofe.

Acho engraçado como várias músicas de Jorge Ben Jor são assim e vivo cantarolando paródias delas para meu divertimento particular.

Nunca canto "os alquimistas estão chegando", por exemplo, vivo mudando as "profissões": "os eletricistas estão chegando", "os escafandristas estão chegando", "os alpinistas estão chegando" e por aí vai.

E eu adoro Jorge Ben Jor.

Acho particularmente engraçado quando o compositor faz uma rima sem sentido só pra fazer a rima e porque gosta da sonoridade da palavra. Uma das minhas preferidas é "Mas hoje eu recebi um telegrama/ Era você de Acaraju ou do Alabama", do Zeca Baleiro.

Por que, diabos, Alabama? Só pra rimar com "telegrama", claro.

Então sempre canto mentalmente mudando a forma de contato:

"Mas hoje eu recebi um telefonema/ Era você de Aracaju ou de Ipanema..."

"Mas hoje eu recebi um bilhete/ Era você de Aracaju ou de Alegrete"

"Mas hoje eu recebi uma carta/ Era você de Aracaju ou de Jacarta"

Não resisto e me divirto. E olha que a música de mais gosto de Zeca Baleiro é 100% construída em cima disso: "Samba do approach".

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