terça, 12 de dezembro de 2017

Lena Guimarães
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Ricardo se impõe

30 de novembro de 2017
Na véspera do julgamento de suas contas de 2015 no TCE, o governador Ricardo Coutinho deu uma demonstração de força aos poderes e órgãos com independência administrativa e financeira que ousaram questionar a determinação de congelamento de seus orçamentos para 2018: ignorou decisões judiciais e aprovou a LOA da forma que quis.

Dificilmente foi apenas uma atitude de quem não gosta de ser contrariado e quer sempre tudo do seu jeito. Também não dá para antecipar que foi uma vitória de Pirro – a que é obtida a um custo tão alto que pode ser confundida com derrota.

Se tiver realmente planos de ser candidato, Ricardo Coutinho deixará o governo em apenas quatro meses e sete dias. Se ficar, vai perder gradualmente todo o poder nos próximos 10 meses, porque a partir da eleição do sucessor, todo gestor só cumpre tabela. Por que o confronto?

Ao enfrentar o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas, por exemplo, Ricardo Coutinho se qualifica para um discurso que poderá contrapor possíveis decisões contrárias a ele nas duas Cortes.

Já ensaiou contra o relator de suas contas de 2015, o conselheiro Fernando Catão, e não poupou o presidente do TJPB, Joás de Brito Pereira, a quem criticou por julgar ações em benefício do Poder que comanda no caso da LOA 2018, cuja tramitação chegou a ser suspensa.

Uma rejeição de contas pelo TCE teria repercussão no discurso de Ricardo e na sua sucessão, assim como o TJPB tem incomodado com retenções de recursos para pagamento de precatórios e causas vencidas por instituições e servidores, sem falar na regra daLDO para a LOA.

Ricardo conseguiu que 22 dos 24 deputados de sua base – a oposição obstruiu – relevassem a necessidade de harmonia entre os Poderes e ignorassem a importância que cada um tem para a sociedade. E o que o TJPB, o MPPB e a Defensoria Pública estavam pedindo – e certamente não vão abrir mão – era apenas a atualização monetária do orçamento e não uma fatia maior nas receitas de 2018.

Por que votar a LOA às pressas? Por que não dialogar com os Poderes? Porque não se trata apenas das receitas, mas de 2018. Ricardo mostrou que ainda tem o controle.

TORPEDO

"Eu gosto de poesia e tem uma que diz que ‘pedras que rolam não criam musgos’. Tem gente que fica tanto tempo no poder, que não se agarra às transformações. A vida tem que ser transformada. "

De Ricardo Coutinho, quando defendia a candidatura de João Azevedo e criticava adversários que anunciam fim do ciclo do PSB na Paraíba.

Família maior

O senador Cássio Cunha Lima comemorou a chegada do 4° filho, na madrugada de ontem. Ele deixou Brasília às pressas para acompanhar a esposa, Jacilene. Vinícius nasceu em Campina Grande, a terra do pai.

Virou réu

Um dia após o STJ conceder sua liberdade, o Pleno do TJ acatou, por unanimidade, denúncia do Ministério Público contra o prefeito afastado de Bayeux, Berg Lima, acusado de corrupção. Continua fora da Prefeitura.

Efeito colateral

Para a deputada Camila Toscano, a aprovação da LOA sem revisão do duodécimo dos poderes “vai afetar diretamente o atendimento à população. Serão diversos municípios sem comarcas e até sem defensores”.

Candidato

Leonardo Gadelha quer voltar à Câmara Federal e já pediu exoneração da presidência do INSS. Sai antes da votação da reforma da Previdência, que poderia custar votos. A concorrência para deputado federal será fortíssima.

ZIGUE-ZAGUE



  • A CCJ do Senado aprovou projeto que altera o Estatuto do Desarmamento para permitir armas de fogo para moradores de áreas rurais. Ainda vai para a Câmara.


  • O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) se antecipou ao anúncio tucano, previsto para a convenção do dia 9, e disse que o PSDB não faz mais parte da base de apoio a Temer.


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