terça, 17 de julho de 2018

Renato Félix
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Pode não ser só um blockbuster

23 de maio de 2018
Quando surgiram nos gibis e tiras de jornais dos anos 1930, os super-heróis rapidamente se tornaram um imenso sucesso. Logo viraram desenhos animados, programas de rádio e seriados de cinema, daqueles do tipo “será que o mocinho vai escapar? Continua na próxima semana”.

Mas isso não se refletia em status artístico. Puro preconceito: eram tratados como “coisa de criança” e, portanto, sem importância. Animações hoje consideradas de grande valor, como os curtas da Disney, Warner ou Tom & Jerry sofriam da mesma discriminação por parte dos adultos pretensiosamente “sérios”.

Com alguma variação, o cartaz dos super-heróis piorou e melhorou. Nos anos 1950, foram acusados (com outros colegas dos gibis, como as histórias de terror) de provocar deliquência juvenil. Dos seriados baratíssimos no cinema, passaram às séries de TV, onde alcançaram popularidade, mas ainda com custos limitados e status idem.

As gerações se sucedem e, com isso, os super-heróis começaram a ser levados mais a sério artisticamente. Começaram a ser notados os valores artísticos tanto dos clássicos como o Fantasma de Lee Falk quanto de obras mais recentes.

O cinema, com maior poder tecnológico, descobriu neles seu atual filão de bilheteria. Dentro disso, há de tudo. Filmes no piloto automático, que só aproveitam a onda. Obras caça-níqueis, ruins de verdade. E filmes que, sim, tentam combinar a missão de fazer bilheteria com uma visão artística que tem algo a dizer.

É uma pena que ainda tenha gente que não consiga ver que um blockbuster pode não ser só um blockbuster. O preconceito ainda tem seus focos de resistência, inclusive na imprensa especializada. Abrir um pouquinho a mente não faz mal a ninguém.

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