quinta, 14 de dezembro de 2017

Roberto Cavalcanti
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Perda de controle

17 de agosto de 2017
Sou um cidadão que procura cumprir as leis, empreender, gerar empregos e criar minha família. Sou um brasileiro que conhece e usa os seus direitos, e reconhece os dos outros. Mas, de repente tenho esse equilíbrio abalado.

Segunda-feira foi um daqueles dias que nos forçam a refletir sobre o que está ocorrendo ao nosso redor; que acende um sinal vermelho, com sirene escandalosa, para que não possa ser ignorado.

Ao despertar, recebo a informação de que uma terra nossa estava na iminência de ser invadida. Fato repetitivo. Um ano antes foi feito um boletim de ocorrência após a propriedade ser sitiada e parte da cerca, roubada.

Tomei providências. Invasões a imóveis estão se tornando tão corriqueiras como os casos de assalto. Se você contar um em roda de amigos, vai descobrir que todos têm igualmente histórias para contar.

Como sempre, o café da manhã inclui a leitura do Correio da Paraíba. Tomo ciência das seguintes ocorrências: explosões nas agências dos bancos Bradesco de Mogeiro, Bradesco de Alagoa Grande e Banco do Brasil de Salgado de São Felix. E dos ataques aos Correios em Alagoa Grande e em Campina Grande.

Na sequência, dirigi com destino ao Distrito Industrial, mas não consegui chegar lá. A rodovia estava fechada por um protesto dos caminhoneiros, revoltados com a insegurança nas estradas, roubo de cargas crescente, e com o elevado preço dos combustíveis em razão da insuportável carga tributária.

A fila de carros parados só não era maior do que a indignação dos que tinham compromissos inadiáveis do outro lado do protesto – no Distrito como eu, ou no Conde, Pedras de Fogo, Goiana, Recife...

Os prejuízos são enormes tanto para o país como para os cidadãos corretos, mas nem por isso providências estão sendo tomadas para garantir que o direito ao protesto respeite o nosso direito constitucional de ir e vir.

Obrigado a desistir do Distrito Industrial, decido ir à Prefeitura de João Pessoa, para resolver pendências. Mais uma vez encontro o caminho bloqueado. Seis carroceiros – inacreditável pela dimensão da desordem e da balbúrdia - protestando contra a lei municipal que disciplina o tráfego de veículos com tração animal.

Sem opção, tento voltar para o Sistema Correio, mas me deparo com um engarrafamento sem precedente recente na Pedro II, fruto da implantação da via exclusiva para ônibus, o que me obrigou a fazer um percurso alternativo que demandou o dobro do tempo. E de combustível.

Não terminou: no Correio, recebo a informação de que meu filho quer falar comigo. Ligo e ouço que ele parou em um estacionamento no Bessa e teve o carro arrombado. Levaram sua bolsa e documentos.

Nesse ponto, impossível não repetir a pergunta da canção de Renato Russo: “Que país é esse? ”

O que mais lamento é a certeza de que os fatos que perturbaram o meu dia, que queria produtivo, mas infelizmente foi de prejuízos, estão virando rotina. Pior, não há reação, pelo menos pública, dos que deveriam defender a coletividade.

O que percebo no nosso Brasil de hoje é uma perda total de controle. É nesse ambiente que crescem os populistas, os aventureiros que estão à espreita de uma oportunidade para chegar ao poder. E a história mostra que eles não são solução, são ameaça à democracia.

Somos cidadãos desarmados, que nem capacidade de reagir em defesa própria temos.

Quem paga impostos não suporta mais o que acontece no Brasil. Sem um freio de arrumação, viraremos terra de ninguém.

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