segunda, 21 de maio de 2018

Lena Guimarães
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O pivô do recuo de RC

08 de Abril de 2018
Após 25 anos e oito mandatos consecutivos – o primeiro foi vereador de João Pessoa eleito em 1992, depois deputado estadual, prefeito e governador – Ricardo Coutinho (PSB) voltará à condição de cidadão comum no dia 31 de dezembro, quando termina seu atual período no governo.

O poder ele perderá antes, em 7 de outubro (1° turno da eleição) ou 28 (2° turno). Definido o eleito, passará a controlar o futuro. Como terá o poder de desfazer, concentrará as atenções, enquanto quem está no cargo “cumpre tabela”. A expressão “vai tomar café frio” foi forjada para explicar o que acontece nesse período.

O governante em fim de mandato perderia prestígio até com a equipe que presta esse serviço. Assim, restam seis meses de poder a Ricardo Coutinho, que não ficará desassistido – a Paraíba ainda concede aposentadoria a ex-governadores e ele poderá requisitá-la – mas sem a áurea de poder. Ele poderia ter escolhido uma história diferente, sendo candidato ao Senado como foram seus antecessores, quase todos com sucesso. A exceção foi Wilson Braga, que saiu do cargo em 1986 como favorito, e foi derrotado por Raimundo Lira, até então um ilustre desconhecido da política, embora já empresário de sucesso. Ricardo seguiu outra exceção, que foi Tarcísio Burity, que em 1990 preferiu ficar no cargo. Enfrentava o desgaste do fechamento do Paraiban e salários dos servidores em atraso. Não arriscou. O atual governador não admite nenhum problema do tipo. A versão para o seu recuo tem como pivô a mulher que há quatro anos foi uma espécie de “salvadora” de seu projeto.

Em 2014 Ricardo estava com dificuldades de fechar a chapa. Não tinha vice e precisava de um nome para “entrar” em Campina, terra de seu adversário, Cássio Cunha Lima. Tinha perdido o apoio de Rômulo Gouveia, surpreendido enquanto fazia campanha para o Senado, no interior, com o anúncio de que tinha perdido a vaga na chapa para o PT. Lígia Feliciano (PDT) aceitou ser vice. Desde então, não deu uma única declaração ou fez a menor crítica a Ricardo. Não é fácil enxerga-la como a “ameaça” que fez ele desistir de disputar um novo mandato. Por isso a expectativa em relação aos detalhes dessa história. Se antes a pergunta era se Ricardo “fica ou sai”, agora é “quando a pivô vai falar?”

Torpedo

São duas vagas para o Senado e acho justo que o presidente do nosso partido seja um dos nomes escolhidos, pela sua experiência e competência para assumir e disputar o mandato.

Retorno

Aliados de Ricardo acreditam que ele fi cará sem mandato por apenas dois anos. Preveem que Luciano Cartaxo não elegerá seu sucessor, pois nenhum nome do seu entorno teria chances contra o atual governador.

À espera

O TSE já liberou as pautas das sessões dos próximos dias 10 e 12. As duas Aijes que pedem a cassação do governador Ricardo Coutinho por abuso de poder econômico e conduta vedada em 2014 continuam fora.

“Guarda” de RC

Deputados e instituições já condenaram a criação de guarda especial para proteger ex-governador por quatro anos após o fim do mandato, às custas do contribuinte. Nesta semana, irão juntos ao MPPB cobrar ação contra.

O caminho

Como o governador Ricardo Coutinho tem maioria na Assembleia, nenhuma proposta contra seus interesses tem chances de ser aprovada. Assim, o caminho é questionar a legalidade da “guarda” no Judiciário.

Zigue-zague

O desafio do ex-presidente Lula à Justiça rendeu mídia, mas também reacendeu a preocupação com a postura “acima da lei” demonstrada por ele e aliados. O destaque ao invés de render votos pode causar efeito contrário, principalmente com o seu adversário, o presidenciável Jair Bolsonaro fazendo o contraponto.

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