terça, 12 de dezembro de 2017

Roberto Cavalcanti
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New York

15 de outubro de 2017
Única em muitos aspectos -  inquestionavelmente é a mais influente cidade do planeta, com maior diversidade étnica e cultural, por exemplo –, New York tem um ritmo próprio de desenvolvimento, resultado da velocidade que a tecnologia tem garantido aos negócios.

Apenas um ano se passou desde minha estada anterior, mas seria impossível não constatar as efetivas mudanças ocorridas, apesar do gigantismo da Capital do mundo - e não apenas por sediar a ONU, mas por ser habitada por pessoas de todos os continentes e países.

Essa diversidade faz de NY a cidade mais globalizada do mundo. Lá se encontram pessoas que, de alguma forma, são afetadas por tudo o que ocorre no planeta.

Um furacão em alguma parte será lamentado por uma de suas comunidades, que terá parentes ou amigos atingidos.

Se a tempestade é política, é igualmente sentida, seja por venezuelanos, brasileiros ou espanhóis. Se há conflito armado ou ameaça, lá tem milhares de pessoas com origens na Coreia, no Oriente Médio e na África.

Em tempos passados, uma das características de NY era ter os melhores restaurantes italianos do mundo. Hoje, tem os melhores de todas as partes: a melhor comida japonesa, tailandesa, grega, e até mesmo a brasileira. É a heterogeneidade da cidade.

Uma grande surpresa foi constatar a velocidade com que NY se adapta aos novos hábitos alimentares. Em apenas um ano, a profusão de negócios de sucos naturais, presentes nas melhores avenidas e pontos, mostra que virou moda.

Do jeito que na Paraíba encontramos farmácias que resolvem problemas de quem já está doente, lá é comida saudável. Eles estão focados em prevenção, o que passa por uma alimentação de qualidade.

Até as cadeias de fast-food tradicionais estão se adaptando e adotando cardápios lights-green. É visível a evolução: do ‘Mc Donalds, passando pelo ‘Starbucks’, agora a vez é do ‘Joe & The Juice’.

Da mesma forma, há mudanças no urbanismo. NY oferece o privilégio de sabermos nossa exata posição geográfica onde quer que estejamos, porque todas as ruas e avenidas são numeradas - um GPS natural. E os números dos prédios são sequenciais, sem saltos para confundir.

NY tem áreas que são historicamente privilegiadas. A 64th Street é diferente da 35th Street, se é East ou West também influi na valorização. Tem as Vieira Souto, as avenidas Brasil e as Edson Ramalho. A cidade tem suas referências. Porém, o que está acontecendo lá, só vi, na mesma rapidez e intensidade, nos Emirados Árabes: o gigantismo dos novos prédios em áreas antes ocupadas por empresas que a evolução tecnológica tirou do mapa.

Em Manhattan, na 10th Ave com a 36th Street, nos deparamos com prédios colossais, projetados pelos melhores arquitetos do mundo. A área, antes degradada, está em processo de revitalização impressionante, o que mudará 100% da sua ocupação, valorizando inclusive o entorno.

O lado lamentável é que não há só pujança. Também é visível o crescimento da pobreza. Antes, só velhos pediam auxilio nas ruas, alguns com plaquinhas informando a condição de ex-combatentes. Agora, há também jovens.

Esse quadro não parece ser consequência da economia, mas de mudanças na política social no governo Trump. É marcante, porque estão  nas melhores avenidas, carregando seus poucos pertences em carrinhos ou malas e dormindo nas ruas. E isso numa cidade onde o endereço, mais do que a roupa, é o que indica a condição social.

A velocidade das mudanças em NY surpreende. É lamentável que a globalização não garanta nivelamento social. A concentração de riqueza é um novo desafio para a The Big Apple, que não deixa de encantar a todos.

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