terça, 25 de setembro de 2018

Renato Félix
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Não há tempo para tudo

21 de fevereiro de 2018
Vivemos numa época de tanto acesso à informação que é impossível saber de tudo, estar em dia com tudo. A arte, por exemplo. Cada um acaba tendo que "se especializar" em agumas coisas, em detrimento de outras. Quem consegue ver tantos filmes, tantas séries, tantas peças, tantos espetáculos de dança, ouvir tantas músicas, ler tantos livros, tantos quadrinhos, ir a tantas exposições?

Naturalmente, coisas vão ficando pelo caminho, prioridades vão sendo definidas tendo como base a intensidade do prazer do consumidor. E isso reflete na profundidade com que compreendemos a narrativa desta ou daquela manifestação artística.

Por exemplo, eu leio livros. Entendo da narrativa literária até certo ponto. Mas não tenho o mesmo olhar apurado dos amigos Tiago Germano e Débora Ferraz, que se dedicam a isso. Dificilmente vou perceber rápido se este trecho ganharia se viesse antes, ou se a troca de uma palavra solucionaria um problema, sei lá.

Com música, a mesma coisa. É natural perceber as sacadas de jogos de palavras de "Imprópria", de Chico Limeira, e, através delas, sua declaração de intenções. Tratar de melodia já é mais complexo. O conhecimento histórico me faz saber que "A day in the life" é a junção de uma música de Lennon com um trecho de McCartney e o contexto da música. Posso imaginar a função do ruído na música. Mas é preciso se dedicar para compreender as opções rítmicas de uma canção.

O cinema é a arte em que domino mais essa parte narrativa. Entendo espectadores que não estão nem aí para isso, mas me fascina imaginar porque o diretor fez deste e não daquele jeito. E, para ter bagagem para discutir isso, é preciso seguir vendo filmes e lendo sobre eles.

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