segunda, 11 de dezembro de 2017

Lena Guimarães
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Moral da história

07 de dezembro de 2017
Assim como o Presidente da República é o chefe supremo das forças armadas da nação, nos estados-membros as forças policiais têm no governador o seu comandante-em-chefe. Na Paraíba é Ricardo Coutinho quem tem a última palavra, enquanto durar seu mandato.

Se a Polícia já foi vista como instituição de heróis e passou a ser temida pelo povo, que se sente “mais acuado do que protegido”, como disse a deputada Estela Bezerra, ela ofendeu não apenas os policiais, mas atingiu também seu líder que há sete anos é o comandante-em-chefe das forças de segurança, tempo mais do que suficiente para corrigir qualquer distorção já que tem poder para contratar e exonerar, promover ou punir.

Mas nem por isso, ou pelos protestos, notas de repúdio e até apelos de colegas, a deputada Estela Bezerra recuou. Era o que todos esperavam, por ser uma mulher inteligente e política engajada, que tem crescido no cenário paraibano ao ponto de ser lembrada para o governo.Um erro com efeitos colaterais.

Se tivesse pedido desculpas, como sugeriu o deputado João Henrique (DEM), o assunto teria morrido. Como se trata de uma categoria que tem papel decisivo na sociedade, que ganha pouco para o risco de vida que corre diariamente e pode ser extensivo a família, e que é muito organizada e articulada, Estela virou refém de suas palavras.

Quatro associações divulgaram nota repudiando sua fala: Clube dos Oficiais da Polícia e Bombeiros Militar, dos Inativos da PM, dos Sub Tenente e Sargentos da PM, e, das Mães e Esposas dos PMs.

Sugerem que na próxima vez que usar a tribuna, cobre do governo “projetos que promovam apoio e dignidade aos policiais, que faça concurso para aumentar o efetivo nas ruas, que devolva a paridade entre ativos e inativos, que garanta ao policial o seguro de vida, e que cumpra as decisões judiciais com trânsito em julgado em favor dos abnegados, destemidos e vocacionados da Polícia e bombeiro Militar da Paraíba”.

Os deputados Trócolli Junior (PROS) e Renato Gadelha (PSC) se solidarizaram com os policiais. Na Câmara, o vereador Carlão da Consolação defendeu “voto de repúdio” e perguntou com quem elaestá andando, porque “quem tem medo da polícia é quem não presta, é bandido”.

Moral da história: ao invés de acuar, Estela foi acuada pelos policiais.

TORPEDO

"Sabemos da luta diária dos nossos policiais para trabalhar nas ruas e manter a ordem, mesmo sem estrutura adequada de trabalho. Mas, eles não deixam de realizar suas ações e, principalmente, de defender o cidadão, mesmo sem receber o reconhecimento deste Governo."

Do deputado João Henrique, que cobrou posicionamento do comandante da Polícia Militar sobre as declarações de Estela Bezerra.

Revelação

Como Estela Bezerra, o secretário Cláudio Lima (Segurança) foi defender o PL 1.664/17, de Ricardo Coutinho, que contempla delegados mas esquece escrivães e agentes, e terminou dando mais munição para a oposição.

Promoções

Em entrevista no rádio, o secretário disse que em 2014, ano da eleição, os delegados pressionaram por benefícios. O governador, que não tinha maioria na Assembleia, editou Medida Provisória e fez as promoções.

O problema

A explicação de Cláudio Lima: “Como aquela medida [a MP] não foi nem apreciada [o que causou perda de validade], se não fosse regularizado aquilo iria trancar e tratei com o governador, para regularizar”.

O que?

Disse que diante de novas demandas, propôs a solução: “Eu tive a ignorância de resolver essa situação passada, e essa situação não podia permanecer assim pois não havia segurança jurídica”, admitiu Lima.

ZIGUE-ZAGUE



  • O Brasil passou a ter taxa básica de juros de 7%. É a menor em 31 anos. Impossível não reconhecer que deve-se a acertos da política econômica de Temer.


  • A Câmara Federal aprovou e já vai para sanção o aumento da pena para motorista embriagado que causar morte no trânsito: será de 5 a 8 anos, em regime fechado.


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