segunda, 21 de maio de 2018

Lena Guimarães
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Medo de atentado?

06 de Abril de 2018
Quem poderia atentar contra a vida do governador Ricardo Coutinho, que garante ser autor da melhor gestão da história da Paraíba? Quem poderia desejar mal ao homem que diz ter feito o que os outros não fizeram? Se espalhou tanto bem, porque teme ser alvo do mal?

Pelo que afirmou ao tentar defender o privilégio que criou - quatro anos com segurança pessoal, sob a responsabilidade de três PMs, sendo um Oficial, e paga pelos contribuintes, quando deixar o governo -, o medo dele é de sofrer um atentado. A lei que sancionou diz até que ele é quem escolherá os PMs.

Para quem pode achar exagero, reproduzo as palavras de Ricardo, ditas ontem: “Agora, tu imagina bem, se o ex-governador Tarcísio Burity tivesse um segurança, talvez não tivesse sofrido o atentado que sofreu”.

Ricardo cita um fato isolado na história da Paraíba, que resultou de problemas pessoais entre dois políticos, para justificar mais um privilégio?

Desde a volta das diretas, tivemos nove eleições para governador e sete políticos ocuparam o Palácio da Redenção. Nenhum antes de Ricardo Coutinho achou que precisava de proteção especial ao deixar o cargo, e nem achou natural que fosse às custas do contribuinte.

Por que seria atacado? Ricardo disse que acabou com “facilidades e fortunas que eram feitas na Paraíba a partir do poder público”. Afirmou que outrosnunca tiveram problemas em relação a segurança “porque sempre pactuaram com a bandidagem”. Sério? E estão soltos?

A opinião do Clube dos Oficiais da Polícia Militar e da Associação dos Inativos da PM, expressa em nota oficial, é bem diferente: “Lamentavelmente esse privilegio imoral, expõe a corporação, e expõe o cidadão, que embora viva numa total insegurança, agora é obrigado a pagar segurança particular para quem deixa o cargo, mas não desapega do poder”.

Dizem mais: “Testemunhamos o nascimento de uma lei, de cunho casuístico, de caráter exclusivo pessoal, violando princípios da Constituição Federal, como da Moralidade e Impessoalidade, além do interesse público que neste caso foi ignorado pelo interesse particular”.

Se o silencia de Ricardo no primeiro momento de revelação da guarda especial foi ruidoso, sua tentativa de justificar o privilégio foi pior.

TORPEDO

Outra prova de atraso [de Ricardo Coutinho] é demonstrar preocupação com um ex-governador, ao mesmo tempo em que não dá uma palavra sobre as milhares de vítimas da violência na Paraíba, e se esquece ainda de Bruno Ernesto.

O anúncio

Ricardo Coutinho convocou para hoje, às 10h, entrevista para anunciar se fica ou sai do governo para disputar vaga no Senado. Vai tomar a decisão antes do julgamento, pelo TSE, de duas Aijes que pedem sua cassação.

Celeridade

Pelo que tem dito no TRE-PB, o corregedor Carlos Beltrão também vai agilizar julgamentos das “pendências” na Corte, entre elas a Aije do Empreender, a ação que teria acumulado mais provas contra Ricardo.

Mais uma

Saiu o parecer do procurador Regional Eleitoral Victor Carvalho Veggi sobre as cassações do prefeito Douglas Lucena e do vice, Augusto Aragão, de Bananeiras, por abuso de poder político e condutas vedadas na eleição.

Abusos

No parecer, Veggi aponta que nem toda política pública de distribuição de bens, serviços e valores pode ser executada em ano eleitoral. E relaciona as que tiveram como objetivo favorecer a eleição do prefeito.

ZIGUE-ZAGUE

O TRF-4 determinou ao Juiz Sérgio Moro o cumprimento da sentença de prisão do ex-presidente Lula, que tem até hoje, às 17h, para se apresentar voluntariamente.

Moro ordenou à PF que em nenhuma hipótese use algemas, em respeito ao cargo que o petista ocupou. Foi comunicado que ele ocupará área exclusiva e segura.

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