quinta, 14 de dezembro de 2017

Sony Lacerda
Compartilhar:

Fantástica palestra de Chartier

19 de agosto de 2017
O renomado historiador francês Roger Chartier fez palestra na terça-feira, no auditório Ariano Suassuna, do Tribunal de Contas da Paraíba, em João Pessoa, durante a abertura do IX Congresso Brasileiro de História da Educação, promovido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Com um português afrancesado, como ele mesmo disse- se desculpando-, Chartier falou para cerca de 700 pessoas sobre a história da cultura escrita, foco do seu trabalho como historiador e professor.

Chartier iniciou sua trajetória historiográfica na década de 1970. Ele é defensor da Escola Analles, um movimento historiográfico surgido na França, em 1929, por iniciativa dos também historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre. Durante sua palestra em João Pessoa, ele discorreu sobre como pensar a articulação entre normas e práticas, já que, no século XIX, os livros didáticos afirmavam, segundo ele, que o verdadeiro conhecimento estaria somente nos livros. Ou seja: todo o saber humano como as práticas empíricas, as superstições e a tradição oral.

Chartier abordou a aprendizagem escolar como ferramenta de conhecimento e disse que o século XIX conheceu a dispersão da prática da leitura. “Houve grande fragmentação das práticas de leitura”, disse, frisando o aumento da diversidade de leitores como crianças, mulheres e operários. Destacou o incremento na produção de material impresso e frisou que a produção de cultura impressa mostrou as mudanças que ocorreram na Europa e na América.

Revista terá discurso

A palestra do professor Chartier durou em torno de uma hora. A íntegra de tudo o que ele falou estará numa revista que será lançada pelos organizadores do evento. Muito simpático e gentil, o professor Chartier abordou, na sua palestra, várias questões que hoje são debatidas em salas de aula nos cursos de história pelo Brasil.

Esquecimento

Chartier ainda falou sobre esquecimento como condição da memória. Disse que há polaridade entre duas figuras do esquecimento (esquecimento profundo e a destruição de traços do esquecimento).

Reapropriação

O historiador francês também abordou a busca para reencontrar as memórias perdidas e a reapropriação do passado histórico.

Ruptura

Segundo Chartier, a lembrança é possível na base do esquecimento e falou do esquecimento como condição da memória historiográfica. Disse que a ruptura com o passado se confunde com a memória esfaceladora.

Memória

Destacou a necessidade da preservação da memória escolar e do patrimônio educativo. Encerrou a palestra citando Paulo Freire.

Distinções do verbo ler

Segundo Chartier, Paulo Freire faz distinções no verbo “ler”. “Ler como domínio do escrito é antes e depois dos livros. É ler o mundo, a natureza, a memória, o gesto, o sentimento”, disse, acrescentando que, para Freire, o verbo tem dois sentidos: a especificidade da leitura escrita e os processos educativos, não apenas escolares, que ensinam experiências de vida e compreensão do mundo.

Diversidade

A Câmara de João Pessoa realizou, na quarta-feira, sessão solene para debater diversidade religiosa. A sessão, que se estendeu até às 18h30, foi proposta pelo vereador Eduardo Carneiro (PRTB).

Estado laico

Para a vereadora Sandra Marrocos, a defesa da diversidade religiosa é bandeira do seu mandato. Disse que o Estado é laico e que as religiões são espaços de agregação.

Tudo pela paz

A juíza Rita de Cássia Andrade falará sobre o tema “Justiça pela paz em casa”, em projeto do Conselho Nacional de Justiça e do Tribunal de Justiça da Paraíba. Será na próxima quinta, às 20h, no Iesp.

Maria da Penha

O Tribunal de Justiça da está representado em Salvador, na “XI Jornada Lei Maria da Penha”, pela juíza Graziela Queiroga, titular da Infância da Comarca de Lucena.

Relacionadas