domingo, 22 de abril de 2018

Lena Guimarães
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Extrema necessidade

17 de Fevereiro de 2018
Menos de dois anos depois de ser o palco mundial dos esportes, sede de uma Olimpíada, o Rio de Janeiro volta a ser manchete internacional. Dessa vez, não pelas cenas de competições ou pela beleza ostentada na natureza que possui. O Estado é o primeiro, em quase 30 anos de redemocratização do Brasil, a sofrer uma intervenção militar por causa da violência e da perda do controle das autoridades estaduais de segurança pública.

A partir de hoje, um general do Exército vai governar toda a estrutura de segurança fluminense. Para muitos defensores da volta do controle político pelos militares, o ato do presidente Michel Temer se trata de uma conquista que vai servir de modelo para outras regiões do País. Aos sobreviventes do regime totalitário, o medo de uma regressão é o sentimento que aflora num momento de tamanha importância para o futuro de um dos principais destinos para brasileiros de todas as regiões e até estrangeiros.

O sociólogo Julio Jacobo, coordenador do Mapa da Violência, uma das mais importantes publicações brasileiras sobre segurança pública, afirmou que a ação é importante mais deve ter prazo. Segundo ele, a intervenção não vai resolver a questão da violência mas deve servir para reorganizar a situação.

O próprio governador Luiz Fernando Pezão reconheceu, durante pronunciamento em Brasília, que as forças de segurança do Rio não conseguem mais conter o avanço da guerra de facções. Além da perda de força, o Estado sofre uma das maiores crises financeiras da história. Claro, que motivada por sucessivas administrações com esquemas de desvio de recursos - com os ex-governadores Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral presos. Rosinha já está em liberdade.

O presidente Temer afirmou que o crime organizado quase tomou conta do Rio de Janeiro. De acordo com ele: “É uma metástase que se espalha pelo país e ameaça a tranquilidade de nosso povo”. A medida também foi vista com desconfiança pelas autoridades dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Eles temem a migração dos bandidos para outras regiões, a começar pelos três vizinhos.

Até aqui na Paraíba, foi sentida a migração de bandidos ligados às facções do Rio nos últimos anos. A atenção deve ser redobrada.

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