domingo, 27 de maio de 2018

Renato Félix
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Entre dois cinemas

18 de Abril de 2018
Soube por e-mail da jornalista Maria do Rosário Caetano que o documentário sobre Hugo Carvana (exibido há poucos dias no festival É Tudo Verdade) começa pela cinelândia tijucana da Praça Saenz Peña, no Rio. E que essas imagens encantaram a plateia.

Vão me encantar também, porque ficavam ali os primeiros cinemas que lembro frequentar na vida, levado pela minha mãe.

Minha memória fixou precisamente dois: o América e o Carioca, um de frente para o outro, nas esquinas de um calçadão. Não sabia o nome da rua, mas uma pesquisinha rápida no Google Streetview ajudou a rever o local.

Antes, descobri que um dos cinemas tinha virado uma igreja evangélica e o outro uma loja de tecidos e uma farmácia. Aí, sobrevoando virtualmente a praça, achei o ponto exato. Os dois cinemas (dois entre tantos que ficavam ali pela Praça Saenz Peña) ficavam na entrada da rua Major Àvila, do outro lado da Conde de Bonfim, de frente para a praça e atualmente quase de frente para a estação do metrô que fica ali.

O antigo Carioca ainda ostenta seus pilotis em mármore. O antigo América também mantém boa parte da fachada como era nos anos 1980, muito diferente de sua primeira fachada, dos anos 1910. Os cinemas tijucanos geraram até um livro: A Segunda Cinelândia Carioca, de 2010.

Cheguei por aqui em 1985 e encontrei três cinemas na cidade. O Municipal e o Plaza, no Centro; o Tambaú, no Hotel Tambaú, na praia. Sendo que o Plaza não valia, porque já estava na sua fase decadente, passando quase sempre apenas filmes pornôs.

Muito diferente do passado da cidade, quando haviam várias salas na região do centro de João Pessoa. Só em 1989 apareceu uma quarta sala. E ela já anunciava como seriam os anos seguintes: foi a Art Manaíra, primeira sala em um shopping pessoense.

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