sábado, 18 de novembro de 2017

Roberto Cavalcanti
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Em nossas mãos

12 de novembro de 2017
Recentemente fui indagado por jornalistas sobre minhas expectativas para o Brasil. Mesmo sendo economista e empresário, admito que o momento não permite visões seguras.

Vejo 2017, que está no fim, como o ano que o Brasil está conseguindo ultrapassar. O Presidente se manteve no cargo e conseguiu aprovar parte das reformas. Restando poucos dias, vários feriados e festas, e o recesso parlamentar, concretamente nada significativo deve acontecer.

De 2018 espero menos ainda, porque pelo modelo político brasileiro é mais do que perdido. É ano no qual as despesas aumentam. E não apenas pelo custo das eleições em sí, mas pelo que é feito para garantir votos. A classe política vai querer desgaste zero.

Assim, nosso futuro começará em 2019, mas com rumos da economia, da renda, do emprego e dos investimentos sociais atrelados à decisão que todos nós, brasileiros, tomaremos no final de 2018.

Em pouco mais de 10 meses iremos às urnas para escolher nada menos que 1.682 políticos para os mais importantes cargos dos poderes Executivo e Legislativo no Brasil.

Vamos escolher novo Presidente da República e seu vice, 27 governadores e seus vices, 54 senadores (dois por Estado), 513 deputados federais (12 da Paraíba), e 1.059 deputados estaduais, sendo 36 para nossa Assembleia Legislativa.

Para os políticos pode significar apenas uma posição de poder e acesso a privilégios que a representação garante. Mas é muito mais para os brasileiros. Com o voto, decidiremos que tipo de governo teremos nos quatro anos seguintes.

Estamos na encruzilhada. Só enxergarei um Brasil com capacidade ou não de reação após o resultado das urnas. Tudo vai depender do que acontecer no processo eleitoral.

O ex-presidente Ronald Reagan contou, já perto de concluir seu segundo mandato, porque trocou Hollywood, onde era astro de primeira grandeza, por Washington: “Entrei na política, em parte, para poder levantar a minha mão e dizer: Pare!”.

E o que ele queria interromper?

Uma inversão na ordem, um governo que ampliava as regulamentações, admitia tributação predatória e reduzia opções do cidadão, comprometendo as bases do estado americano.

Sua explicação é poderosa: “Nossa revolução foi a primeira na história da humanidade que realmente mudou o rumo do governo, e com três pequenas palavras: Nós, o Povo. Somos nós, o Povo, que dizemos ao governo o que fazer, e não o contrário. Nós, o Povo, somos o motorista, e o governo é o carro. E somos nós que decidimos para onde ele deve ir, por qual rota e em que velocidade”.

Continua: “Quase todas as Constituições do mundo são documentos nos quais o Estado diz aos seus cidadãos quais são seus privilégios. Nossa Constituição é um documento pelo qual nós, o Povo, dizemos ao governo aquilo que lhe é permitido fazer. Nós, o Povo, somos livres”.

Sua lição: “Eu era um político cidadão e isso parecia ser correto para um cidadão fazer. Acho que conseguimos parar muito do que precisava ser detido. E espero ter, uma vez mais, recordado às pessoas que o homem não é livre a não ser que o governo seja limitado”.

Se o americano conseguiu, nós também podemos fazer com que o Estado brasileiro funcione a favor do seu povo.

Se queremos mudanças, teremos uma grande oportunidade em 2018. Sou a favor do estado menor, de impostos justos, do direito a legítima defesa – o cidadão não pode viver como refém dos bandidos -, e principalmente do fim da impunidade. Acho que honestidade é obrigação, que coerência é pré-requisito, assim como a ficha limpa legal.

Vou assistir ao Guia Eleitoral, vou ouvir entrevistas e acompanhar os debates e querer conhecer suas histórias de vida para ter como escolher bem. Será trabalhoso, sim, mas o futuro do Brasil não depende dos políticos, depende de nós. Está em nossas mãos.

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