sábado, 18 de novembro de 2017

Renato Félix
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Em memória das locadoras

08 de novembro de 2017
A cinefilia deve muito às locadoras de vídeo, de saudosa memória. Dos anos 1980 para cá, eu diria que tanto quanto às próprias salas de cinema. Antes delas, o cinéfilo precisava estar muito atento à programação das televisões para não perder quando algum filme importante passasse. E não falo só das estreias (naquela época, filme na TV era um evento, até não saíamos de casa porque determinado filme iria passar), mas dos clássicos, que apareciam nas madrugadas.

As locadoras mudaram esse cenário. Os filmes em VHS aos poucos foram se tornando um hábito comum, aquele negócio de alugar três ou quatro fitas no fim de semana e tal. Os títulos disponíveis foram crescendo cada vez mais a ponto de, pela primeira vez, o cinéfilo ter acesso sem muita dificuldade aos mais importantes filmes – e poder revê-los quantas vezes quisesse, a hora que quisesse.

O mercado chegou ao ponto de cravar quase uma locadora a cada esquina. Todo mundo teve sua locadora de estimação em João Pessoa. A Chaplin, a Love e a Ribalta foram das mais marcantes, chegando a se tornar redes.

Elas se adaptaram bem ao DVD, mas outras mudanças (a venda nas lojas e internet, a venda pirata nas ruas, os downloads, o streaming) fizeram o negócio desaparecer.

Ou melhor, em João Pessoa, quase desaparecer. A Kauai, comandada por José Vianei (seu Vianei para muitos), se manteve incólume, graças, principalmente, por manter um públio cativo de frequentadores que buscavam os filmes clássicos e off-Hollywood. A morte de Vianei entristeceu a todos os próximos e deixou como certo o fim da última locadora de João Pessoa.

Felizmente, os filhos anunciaram que vão manter o negócio, em nome da memória do pai. E da memória de tantos que devem tanto às locadoras de vídeo.

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