terça, 12 de dezembro de 2017

Renato Félix
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Críticos unidos

18 de outubro de 2017
Costuma-se dizer que antigamente a crítica podia realmente influir no desempenho de um filme nas bilheterias, mas que, de uns tempos para cá, essa influência diminuiu bastante. Não que esse seja o papel da crítica, ou a vontade de quem escreve sobre um filme. A crítica é um convite à reflexão sobre uma produção.

O caso é que ela tem sido "acusada" de ter causado problemas para o faturamento de vários blockbusters do verão americano deste ano. E desta vez a crítica ganhou um nome: o Rotten Tomatoes. O site que compila as resenhas da imprensa americana e expõe a porcentagem de avaliações positivas e negativas que cada filme recebe.

Até Martin Scorsese resolveu emitir uma opinião desancando o site, e dizendo que ele era "desrespeitoso" já a partir de seu nome. A referência a atirar tomates em um artista no palco, um nome bem-humorado para um site sobre avaliações de filmes, não parece ter surtindo muita graça no grande cineasta.

Muito irritados ficaram os fãs de filmes como Batman vs. Superman (2016), massacrado pela crítica. Esses admiradores acusam o Rotten Tomatoes de "incoerente" porque outros filmes de super-heróis tiveram melhor aproveitamento. Culpar o Rotten Tomatoes é bobagem, já que ele não emite a opinião, apenas a compila. E ele não dá "notas", apenas mostra quantos críticos avaliaram o filme de maneira positiva ou negativa (não a intensidade desse positivo ou negativo, são coisas diferentes).

Esses fãs parecem não compreender que as pessoas não têm sempre as mesmas opiniões em bloco. Mesmo essas avaliações do Rotten Tomatoes contemplam as exceções. E daí que Batman vs. Superman tenha tido só 27% de críticas positivas? Estar entre as exceções não faz de você o errado.

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