quarta, 18 de outubro de 2017

Renato Félix
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Corpo digital

16 de agosto de 2017
Semana passada falamos de como o CGI ajudou a resolver problemas antes insolúveis, que, em outros tempos, dependia da sagacidade dos diretores e da aposta em saber dirigir o público.

Tem também, entre tantos outros casos, o de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954). Com o orçamento apertado, o diretor Staley Donen recebeu do estúdio cinco bailarinos para fazer os seis irmãos que buscam uma noiva depois que o mais velho se casa – e mais um cara que não sabia dançar.

É incrível isso porque o espectador simplesmente não se dá conta por si só. Donen e a coreografia de Michael Kidd alternam freneticamente os dançarinos e não se percebe que o cara está só enrolando lá no fundo e nem participa das cenas com dança para valer.

Em outra cena, um dos irmãos não poderia estar presente. Donen filmou assim mesmo: colocou outro sujeito no lugar, colocou ele no canto, meio escondido. E pôs a ação da cena do outro lado da tela, para ninguém da plateia prestar atenção nele e perceber a troca. Prestidigitação pura – de novo, contando com o fato de que ninguém podia pausar ou voltar a imagem para ter certeza, se percebesse algo.

Hoje, seria possível filmar a cena com outro ator no lugar e depois “colar” o rosto do ator correto por cima. Foi assim que fizeram uma cena de nudez total de Connie Nielsen no meio de uma multidão na série Game of Thrones. Ou fazer com que Brad Pitt envelhecesse e rejuvenescesse em O Curioso Caso de Benjamin Button. são casos que muitas vezes sãio espantosos, mas que também passam despercebidos - o que é mais espantoso ainda.

Bom, para o sujeito que não sabia dançar, aparentemente o CGI não ajudaria tanto. A ilusão da plateia continuaria dependendo do talento de um diretor como Donen.

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