terça, 12 de dezembro de 2017

Renato Félix
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Clássico é clássico (e vice versa)

22 de novembro de 2017
Os dicionários me dão algumas definições de “clássico”: “que é de estilo impecável”; “próprio para servir nas aulas”, “que de há muito é habitual; inveterado no uso”; “relativo à literatura, às artes e à cultura da Antiguidade greco-latina”; “evento ou acontecimento famoso por se repetir com regularidade”.

Só aí já dá para ver que quando falamos em “filme clássico”, alguém pode se perguntar: “Mas ‘clássico’ como?”. Como tudo que estabelece um valor no cinema, essa ideia também é subjetiva e está meio ao gosto do freguês. Ou seja: não há como bater um martelo, o que é clássico para um pode não ser para outro.

É o senso comum (essa entidade também subjetiva) que consagra Cidadão Kane (1941) ou 2001 (1968) como clássicos e, digamos, O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (2001) não. Ou, pelo menos, não ainda.

Isto porque a ideia de filme clássico, em geral, parece combinar o “de estilo impecável” com o “relativo à literatura, às artes e à cultura da Antiguidade greco-latina” (adaptando-se aí para “antiguidade do próprio cinema”). Ou seja: o filme precisaria de um tempo para se confirmar como um “modelo impecável”.

Há variáveis aí, claro. Quanto é esse tempo? Uma vez li em um antigo guia de vídeo da Nova Cultural que eles consideravam 20 anos. É um período que peguei pra mim, a grosso modo. A sensibilidade é que faz a sintonia fina se um filme de mais ou menos 20 anos, como Pulp Fiction (1994) ou Titanic (1997), já é ou não um clássico.

E há ainda aquelas particularidades que ficam à margem. Os “clássicos instantâneos”, os “clássicos dos filmes ruins”, etc. O que não pode é “clássico” significar apenas “um grande filme”. Ou, com essa banalização, teremos que achar uma nova palavra para o que é um clássico.

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