sábado, 22 de setembro de 2018

Roberto Cavalcanti
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Carros “verdes”

11 de fevereiro de 2018
Se entrássemos, eu e você, caro leitor, em um túnel do tempo, e retrocedêssemos o relógio para o início da caminhada do homem na Terra, constataríamos que dependiam exclusivamente de seus próprios pés.

Algum tempo depois, as necessidades de deslocamento levaram nossos ancestrais à domesticação e uso de animais de grande porte como meios de transporte.

Se adiantássemos o relógio até o século XV, já veríamos grandes navios sendo construídos e graças a eles, o homem vencendo os mares e conquistando novos continentes.

Se saltássemos para o século XIX, lá estariam os trens desbravando fronteiras e integrando regiões, com suas locomotivas a vapor.

Ajustando o relógio para o ano de 1886, testemunharíamos Karl Benz mostrando o primeiro automóvel, com três rodas e movido a gasolina.

Avançando para 1906, encontraríamos o brasileiro Santos Dumont voando sobre Paris com o seu 14-bis.

Saltando 20 anos, já veríamos a aviação comercial em pleno desenvolvimento, e as primeiras experiências com foguetes, cujo desafio era sair do planeta e alcançar o espaço, o que virou realidade 15 anos depois.

Se decidíssemos dar uma olhadinha no futuro, tenho certeza de que os carros movidos a combustível fóssil estariam nos museus, e os em circulação usando energia limpa, em respeito ao ecossistema.

Esse não é apenas um desejo meu, é uma luta que já tem oito anos e que não se resume a esforços de conscientização via poder de penetração do Sistema Correio de Comunicação.

Encarei esse desafio como senador do Brasil e continuo sustentando a bandeira como empresário e como brasileiro que deseja o melhor para o meu país, sem perder de vista que o planeta é a casa de todos, e que se ficar inabitável, simplesmente não teremos para onde ir.

Adotei essa causa quando em 2010 fui escolhido relator do PLS 656/2007, que permitiria a venda de carros de passeio a diesel, no Brasil.

Claro que meu parecer foi contra. Era um retrocesso. O diesel, além de mais poluente, pesava na pauta de importações do Brasil. Sua aceitação também desestimularia pesquisas para evolução dos propulsores dos meios de transporte.

Vetei e apresentei minha alternativa com o PLS 255/2010, que concedia isenção de imposto de importação para os chamados carros verdes, o que obrigaria a indústria nacional a investir em novas tecnologias para concorrer na área de energia limpa.

Em 2014, para minha alegria, a Câmara do Comércio aprovou incentivos para veículos da linha alternativa. Como tudo no Brasil caminha devagar, passamos 2015, 2016 e 2017 sem a publicação da norma que efetivaria esse diferencial.

2018 caminha inexorável. Neste fevereiro, o governo renovou a promessa de implantar um novo regime automotivo, o Rota 2030, pelo qual admite conceder R$ 1,5 bilhão de incentivos, diante do cálculo de que nos próximos cinco anos vai gerar aumento de arrecadação fiscal.

Um bom negócio em todos os sentidos. Por ano, as montadoras já geram R$ 40 bilhões em tributos, e aumentariam.

E o consumidor, o que ganharia além da promessa de bom ar? Os carros híbridos e elétricos chegariam com alíquota menor de IPI. E custo menor.

Pena que já perdemos 8 anos sem concretizar essa opção. Nesse tempo, o Brasil já poderia ter desenvolvido tecnologia própria. Estamos exatamente onde estivemos há 8 anos: debatendo a concessão de isenção de importação de veículos que são produzidos em outros países.

Enquanto a luta continua, tenho pelo menos uma satisfação: graças a meu veto, não há carros de passeio movidos a diesel circulando. Esse retrocesso, pude evitar.

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