terça, 17 de julho de 2018

Roberto Cavalcanti
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Buffet eleitoral

24 de maio de 2018
Uma das mais fortes sensações do ser humano é a fome. Traduz a carência de nutrição, mas também pode estimular desejos de satisfação através da degustação de sabores especiais, um presente ao paladar.

Durante toda a nossa vida, de bebê a adulto, ela, a fome, estará presente, e vai induzir escolhas de alimentos, do simples ao requintado, da cozinha caseira à gourmet - a que não decepciona o mais exigente consumidor.

Ao elegermos onde e com o que vamos nos alimentar, estamos fazendo escolhas, geralmente fruto de nossos conhecimentos sobre os produtos e serviços, e a decisiva preferência pessoal.

Quando recebemos convite para jantar em um restaurante à la carte, logo vem na mente sua especialidade. Se for para um buffet, significa que haverá comida diversificada, pronta para escolha.

Eu tenho por hábito, no buffet, fazer o percurso inverso, do fim para o começo, porque sempre o melhor está no final. Espero que esse seja o caso do “buffet político” brasileiro, pois a 136 dias das eleições, o cardápio de candidatos ainda não oferece opções que reúnam, ao mesmo tempo, competência, um plano para o Brasil e viabilidade eleitoral.

Estamos em momento decisivo para o futuro do País. O eleitor precisa de opções de escolha para alimentar o seu desejo de votar.

As pesquisas revelam que o brasileiro quer políticos honestos, competentes, comprometidos com a cidadania e com o desenvolvimento econômico, único caminho que leva à qualidade de vida.

O que eu percebo, hoje, é uma inapetência do brasileiro para o buffet político-eleitoral em razão das opções expostas. Temos que escolher um. Não está fácil.

Nesse “cardápio”, há nomes que atendem os pré-requisitos da legislação, mas não são eleitoralmente viáveis, ou seja, não têm votos. Encontramos também os com algum potencial eleitoral, mas que não têm propostas coerentes. E os que se destacam por serem de partidos fortes, mas eles próprios não são.

Existem ainda os outsiders, estreantes, com desejo de fazer algo novo, mas que não terão chance de debater suas ideias com os eleitores porque escolheram partidos sem tempo de propaganda no rádio e na TV, sem capilaridade nos estados e municípios e com poucos recursos financeiros.

Têm os populistas desequilibrados, com propostas que atrairiam o voto, mas que são um desastre para o País.

E no contraponto, tem até quem planeje um “golpe” no eleitor, tentando levar uma candidatura ilegal ao ponto de garantir sua foto na urna, para tentar eleger um “poste”. O eleitor votaria em um e elegeria quem nem sabe que é candidato.

A minha grande interrogação é que talvez estejamos indo a um banquete eleitoral no qual, a preço de hoje, ainda não acertamos o foco em meio aos 17 – Michel Temer desistiu da reeleição – que se colocam como pré-candidatos a Presidente.

Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Levy Fidelix, Marina Silva, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Fernando Haddad, Manuela D’Ávila, Rodrigo Maia, Flávio Rocha, Paulo Rabello de Castro, João Amoêdo, Henrique Meirelles, Valéria Monteiro, Vera Lúcia e Fernando Collor...

Apesar da diversidade, o eleitor continua só olhando. Esperando ser surpreendido por uma boa novidade? Caso não surja, vamos ter que escolher um que seja contraponto ao que passamos.

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