sábado, 18 de novembro de 2017

Lena Guimarães
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As poderosas

15 de outubro de 2017
Em 2018 teremos a primeira eleição na Paraíba com 100% dos eleitores identificados biometricamente. É mais um passo para evitar fraudes, a exemplo de múltiplos registros que permitiriam igual número de votos.

O zelo tem fundamento: a Justiça Eleitoral relatou, na semana que terminou, o caso de um cidadão que tinha 52 títulos de eleitores, concedidos a partir de 52 identidades e 52 CPFs diferentes, e foi pego pela digital, que é única. Até então, poderia votar 52 vezes.

O recadastramento em andamento na Paraíba vai eliminar esses fantasmas e os mortos, e o cadastro de eleitores permitirá análise fiel da correlação de forças entre as cidades da Paraíba: o poder do voto.

Neste momento, inquestionável é a posição das duas maiores cidades, João Pessoa e Campina Grande, que juntas têm mais de ¼ dos eleitores do Estado. Exatos 770.729 eleitores, ou 26,61% do total de 2.895.551 registrados até agosto, dados do TSE.

João Pessoa aumentou seu poder eleitoral em relação a Campina Grande. O crescimento do eleitorado é muito maior na Capital (hoje com 495.282 inscritos, ou 17,1% do total do Estado) do que na Rainha da Borborema (275.447 votantes, ou 9,51%).

O eleitorado da Capital já é 79,8% maior do que o de Campina, que já foi conhecida como cidade fazedora de governadores, porque seus cidadãos sempre pendiam para um candidato, dando-lhe maioria que descompensava os resultados do Estado.

Quem ganhou em João Pessoa nem sempre foi eleito, mas quem conquistou Campina, governou a Paraíba. Foi assim com Ronaldo Cunha Lima (1990) e Cássio Cunha Lima (2002 e 2006), que perderam em João Pessoa, mas a diferença em Campina compensou. Antonio Mariz (1994), José Maranhão (1998) e Ricardo Coutinho (2010), ganharam nas duas.

Esse quadro mudou em 2014: a vitória de Cássio em Campina foi percentualmente maior do que a de Ricardo na Capital, mas em números absolutos, não. A vantagem foi de 56.609 contra 90.674, uma diferença de 34.065 votos na soma das cidades, para o socialista.

Não é sem razão que essas cidades centralizam o debate sucessório. E ainda exercem influência nas suas regiões metropolitanas. A de João Pessoa tem mais 11 municípios e chega a quase 29% dos votos do Estado. A de Campina é formada por mais 17 cidades e tem quase 16%. São as poderosas.

TORPEDO

Parlamentares têm foro privilegiado, imunidades contra prisão e agora uma nova proteção: um escudo contra decisões do STF, dado pelo próprio STF.

De Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato, sobre a decisão do STF de dar ao Congresso última palavra sobre punição a parlamentares. 

Voto aberto

O senador Raimundo Lira, líder do PMDB, disse que vai encaminhar a bancada do partido, que tem 23 das 81 cadeiras do Senado (28,4%), a se posicionar pelo voto aberto, conforme a Constituição, no caso Aécio Neves.

Efeito JBS

O tucano foi afastado do mandato de senador e obrigado a recolhimento noturno por decisão da Primeira Turma do STJ, que analisou pedido de prisão feito por Rodrigo Jantot, ex- PGR, com base nas delações da JBS. 

Coerência

Em 2015, quando estava em pauta a prisão do então senador Delcídio do Amaral, os três senadores da Paraíba defenderam o voto aberto, que foi aprovado pelo Plenário, determinando o placar de 59 a 13 contra o petista. 

Dois votos

Aécio vai dividir com o presidente Temer os holofotes da semana. A 2ª denúncia de Janot está na pauta da CCJ, convocada para às 16h desta segunda-feira. Benjamin Maranhão (SD) e Luiz Couto (PT) são titulares e votam. 

ZIGUE-ZAGUE

+ Três paraibanos são suplentes na CCJ, e, na ausência dos titulares, poderão votar no caso Temer. São eles: André Amaral, Efraim Filho e Pedro Cunha Lima.

+ A liberação de vídeos do delator Lúcio Funaro afirmando “ter certeza” que Eduardo Cunha repassava parte da propina a Temer, vai dificultar voto no Presidente.

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