terça, 12 de dezembro de 2017

Renato Félix
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Antes da borracha digital

09 de agosto de 2017
Foi noticiado semana passada: Henry Cavill teve que voltar ao set de Liga da Justiça (2017) para gravar mais algumas cenas no papel do Super-Homem. O problema: já ostentava um bigodão, da caracterização para Missão Impossível 6, que rodava na ocasião, e não podia tirar. A solução: filmar assim mesmo e apagar o bigode digitalmente depois.

Antigamente, claro, não teria jeito: algum dos filmes teria que esperar. Ou Liga esperava a filmagem de Missão Impossível acabar, ou Missão Impossível o bigode voltar a crescer depois de cortado para as novas cenas de Liga.

Os filmes de antes dessa era do CGI tinham vida bem mais complicada. Era preciso apostar em seu poder de ilusão e de desviar a atenção do espectador para resolver problemas que podiam não ser não tão na cara como esse, mas ainda iriam parecer buracos na perfeita estrada do filme. Os erros de continuidade, por exemplo.

A primeira vez em que li sobre o assunto, o exemplo era Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984). Na cena da ponte suspensa sobre um penhasco, há uma cena em que Short Round pula para mostrar como a madeira do piso é forte. Ele faz um buraco e o garoto fica pendurado e logo resgatado. Mais à frente a ponte é mostrada do alto e... cadê o buraco?

É possível que alguém tenha percebido na edição, mas com tudo filmado, já era. Spielberg e sua equipe talvez tenham apostado que a plateia não ia notar, com sua atenção desviada para a ação principal. Mesmo que notasse, poderia ficar em dúvida (“Será que eu vi mesmo isso?”) e teria que assistir de novo e tal.

Lembre-se: eram tempo pré-blu-ray, pré-DVD, préVHS. Para ver um filme de novo, só no cinema de novo ou quando passasse na TV – e não dava para pausar ou voltar a imagem. Dava para apostar que ia passar despercebido.

Hoje em dia, o CGI resolveria isso facinho: apenas colocando um buraco digital na ponte.

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