sábado, 22 de setembro de 2018

Edinho Magalhães
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Ainda a conta de uma eleição(?)

13 de fevereiro de 2018
Uma experiente fonte política, amiga da coluna, que obteve vitórias expressivas em campanhas recentes para a Assembléia Legislativa, Câmara Federal e Senado da República, explica que apesar de todas as mudanças que estamos vendo no processo político brasileiro, em especial pela operação ‘lava jato’, o processo eleitoral (por sua vez) continuará (muito) influenciado pelo poder financeiro. “A mudança real terá que vir pelo eleitor e não sabemos como ele irá se comportar nas urnas este ano”. Portanto, a fonte confirma nossos piores pesadelos: “o sistema de campanha eleitoral deverá ser o mesmo de eleições anteriores, ainda que adaptado às novas regras, como a que proíbe empresas de doar recursos para partidos políticos”.

Então, partindo do princípio que o dinheiro continuará sendo o principal instrumento de uma campanha eleitoral, na opinião de nossa fonte, uma candidatura paraibana ao Senado, por exemplo, precisará de cerca de R$ 18 milhões para ser vitoriosa este ano.

Como? - “Todo esse recurso seria investido em três frentes:

a) mídia, pesquisas, marketing, publicidade e ‘jornalismo de apoio’;

b)‘acordos e compromissos’ com prefeitos e lideranças políticas de pelos menos 100 municípios do Estado, além de Campina e da grande João pessoa, e;

c) para ajudar nas campanhas ‘casadas’ de candidatos a deputados estaduais e federais”.

Uma ressalva: “esse valor poderá ser ainda maior se o candidato não for conhecido do grande público (ou estiver afastado de campanhas eleitorais) ou menor, se o candidato já for conhecido ou se a campanha for de reeleição.” Seriam possivelmente os respectivos casos do senador Raimundo Lira, do governador Ricardo Coutinho e do senador Cássio, nessa ordem.

Em tese, ou o candidato tem capital político e/ou capital financeiro. Restará aos que não tem nenhum nem outro, tentar arrecadar, dos cidadãos, centenas de milhares de doações (e votos).

Mas ‘se dinheiro não fosse problema’, de acordo com a fonte da coluna, a conta milionária da campanha seria mais ou menos assim:

1) “O custo de uma produtora com publicidade, pesquisas, mídias e marketing ainda é caro e não sairia por menos de R$ 5 milhões, já computado a ‘mídia de apoio’ que é ‘pro cabra’ não falar mal do candidato na imprensa e nas redes sociais”. Total estimado: R$ 5 milhões.

2) Em seguida, viria o “apoio logístico e de representação do candidato nas cidades”.

Com quem? - “Pode ser alguém da prefeitura, da oposição ou às vezes o próprio prefeito”.

- O acordo seria em torno de R$ 30 mil, totalizando R$ 3 milhões em 100 cidades.

- Em cerca de 30 ‘cidades-pólo’ o investimento subiria para R$ 50 mil, somando R$ 1,5 milhão.

- Nas 10 maiores cidades do Estado o valor passaria para R$ 100 mil. Campina e João Pessoa poderiam consumir mais R$ 2 milhões, cada, totalizando mais R$ 5 milhões com os ‘10 mais’.

Total geral dessa ação: R$ 9,5 milhões.

3) Por fim o candidato ao Senado precisaria ajudar nas campanhas ‘casadas’ de deputados estaduais e federais que estejam em seu grupo aliado. Nossa fonte estima que esse critério seja bastante subjetivo, “pois vai depender do número de candidatos que se queira apoiar e o ‘nível’ de cada candidato. A conta seria de R$ 1 a R$ 2 milhões para um grupo maior de candidatos a estadual e da mesma forma para um grupo menor a federal”. Total: de R$ 2 a R$ 4 milhões.

A conta desse exemplo hipotético chega, então, ao total variante de R$ 16,5 a R$ 18,5 milhões.

A narrativa acima não é novidade. Não deve ser nenhuma surpresa para a grande maioria dos que fazem e participam de campanhas eleitorais. Mas tenho certeza que ainda causa surpresa em muitos leitores que também são eleitores - únicos que podem e devem mudar essa realidade.

A Polícia, a Justiça e o MP já fazem - bem ou mal - a sua parte. Mas para um dia termos mudanças reais nesse cenário é preciso começar a mudança por nós mesmos. Participe e vote!

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