terça, 20 de fevereiro de 2018

Renato Félix
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A mulher diretora no Oscar

24 de Janeiro de 2018
Não assisti ainda Lady Bird – É Hora de Voar. A distribuidora brasileira não colabora: a estreia do filme está marcada só para 5 de abril, muito depois do Oscar. Mas, enfim, o que eu quero dizer é que, mesmo sem ter visto, fiquei feliz com a indicação da Greta Gerwig ao Oscar de melhor direção este ano.

Eu tenho a maior simpatia por ela, desde que vi Frances Ha (2012), em que ela faz o principal e co-escreveu o roteiro (com Noah Baumbach, que dirigiu o filme). A parceria se repetiu nos mesmos moldes com Mistress America (2015), do qual também gostei bastante.

Em Lady Bird, Greta escreveu sozinha o roteiro e assumiu a direção ela mesma, praticamente estreando na função (ela co-dirigiu um filme chamado Nights and Weekends com Joe Swanberg, em 2008). E com Lady Bird ela se tornou a quarta mulher a ser indicada como melhor direção na história do Oscar.

As anteriores foram Lina Wertmuller (Pasqualino Sete Belezas, 1977), Sofia Coppola (Encontros e Desencontros, 2004) e Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror, 2010, a única a vencer). Quatro, em 443 indicações, no total da categoria, de 1927 até hoje.

Isso reflete uma questão histórica em que as mulheres tinham poucas oportunidades de dirigir um filme. As pioneiras estavam lá, é claro, como Alice Guy no cinema mudo, Ida Lupino na Hollywood dos filmes B dos anos 1950, Barbra Streisand.

Greta, 34 anos, é uma das mais jovens indicadas na categoria: é dois anos mais velha que o recordista, Damien Chazelle (32, por La La Land, ano passado). A belga Agnes Varda, por sua vez, completa 90 este ano. E chega à sua primeira indicação, com Visages Villages concorrendo a melhor documentário.

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