terça, 20 de fevereiro de 2018

Lena Guimarães
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A janela e as filiações

28 de Janeiro de 2018
O 7 de abril está mais conhecido como o prazo para desincompatibilização de gestores que pretendem disputar um outro cargo público – o caso de prefeito que vai concorrer a governador, por exemplo -, mas é também a data limite para filiações de todos os que querem concorrer neste 2018.

Como em marco, sétimo mês antes da eleição, temos a janela de 30 dias para os que têm mandatos trocarem de partido sem risco de responder por infidelidade partidária, a correria é grande, das legendas e dos candidatos.

Dos partidos, para atrair filiações de quem tem viabilidade eleitoral, porque a partir de 2019 vai vigorar a cláusula de barreira. Só quem atingir o número mínimo de votos vai ter acesso ao recursos públicos para os partidos e ao tempo de propaganda no rádio e na TV.

Por isso, estão oferecendo diferenciais a personalidades que têm grande popularidade e podem reproduzir o “efeito Russomano”, cuja votação garantiu seu mandato e mais quatro deputados federais para o PRB de São Paulo. O humorista Tiririca arrastou mais dois. Aqui, o apresentador Samuka Duarte é sonho de muitas lideranças partidárias, que têm 69 dias para convencê-lo a trocar a televisão pela política.

Quem tem potencial de votos e decidiu disputar, está analisando com muito cuidado as propostas, desde o apoio financeiro que receberá do partido (a campanha deste ano será a primeira com recursos públicos para despesas que antes era bancadas por doações de empresas), e principalmente as perspectivas de poder no futuro.

Conquistar um mandato é muito bom. Ser partícipe da vitória de um governo, também. Ter prestígio nesse governo, é maravilhoso. Assim, a análise inclui os partidos que serão decisivos para a governabilidade, seja quem for o eleito, além das condições que terão na campanha.

Os cinco partidos com maior fatia do Fundo Partidário são PMDB (14%), PT (12,1%), PSDB (10,5%), PP (7,8%) e PSD (6,7%). Juntos ficarão com 51% dos recursos.

Os com maior tempo de propaganda eleitoral, pela ordem: PT, PMDB, PSDB, PP e PSD. Pelo menos 19 partidos terão menos de 30 segundos no horário eleitoral. Quem estiver neles terá que ser muito criativo em outras mídias para passar sua mensagem aos eleitores.

A escolha não é fácil, e o tempo está acabando.

Torpedo

Há uma disposição na Lei de Inelegibilidades, acrescentada pela Lei da Ficha Limpa, que estabelece que os condenados por determinados delitos e com condenações em âmbito colegiado se tornam inelegíveis. Esse é o caso em que se enquadra no momento o ex-presidente. (De Marlon Reis, que encampou a iniciativa popular que virou Lei da Ficha Limpa, sobre o destino da candidatura de Lula)

Perdas...

Desde a posse em 2015, o PT foi o que mais perdeu deputados federais (11), seguido do PTB (9), do PSDB (8) e do PMDB e PROS (5). No contraponto, PODE (12), PP e DEM (8), e Avante e Rede (4), ganharam.

... e ganhos

No Senado, desde a posse em 2011 (os mandatos que serão renovados neste ano), 11 mudaram de partido. O PT perdeu (4), o PTB (3), DEM e PR (2). Ganharam o PSD e PODE (3, cada), PMDB e PP (2, cada), e PSDB (1).

Tempo

Neste 2018 teremos apenas 52 dias de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Um exemplo: enquanto o PP terá cerca de 40 minutos de propaganda eleitoral por semana, e o PRB terá 23, o Avante disporá de apenas 5 minutos.

Cara nova

Vários partidos já mudaram de nome em busca de nova imagem neste 2018: PMDB para MDB; PTN virou Podemos; PT do B agora é Avante; PEN mudou para Patriotas; PSDC para DC; o PSL caminhava para ser Livres.

Zigue-Zague

O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) será homenageado pela Câmara de Campina Grande nesta quarta-feira, 31. Vai receber a Medalha de Honra de Mérito Municipal.

O vereador Alexandre do Sindicato defendeu a condecoração citando os benefícios que Aguinaldo garantiu para a cidade, entre eles o seu maior conjunto habitacional.

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