terça, 12 de dezembro de 2017

Renato Félix
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A crítica não é uma pessoa só

16 de novembro de 2017
Sempre gosto de contar essa história. Peter Bogdanovich, diretor do clássico A Última Sessão de Cinema (1971) lançou um livro de críticas de filme e convidou outro crítico para escrever o prefácio. Aí o convidado (não lembro o nome) lascou lá: “Peter é um ótimo crítico, a não ser por achar que O Homem que Matou o Facínora é um dos melhores filmes de todos os tempos, quando todo mundo sabe que é um dos piores”.

É mais ou menos isso. O João Batista de Brito, que me contou o causo (se me lembro bem; ele deve até ter esse livro, que, aliás, também não lembro qual é), deve contar melhor essa história.

Enfim, o que interessa é isso: não é interessante que dois críticos que se admiram divirjam tanto a respeito de um filme a ponto de um deles considerar como “um dos melhores” e outro como “um dos piores”?

Bem, na verdade, não é nada incomum. Muitas vezes se fala “a crítica” como se esta fosse uma pessoa só, ou uma entidade misteriosa em que todos os integrantes pensam do mesmo jeito. Não deveria ser necessário dizer que não, não é assim.

A arte é subjetiva e o cinema não é diferente. Muitas vezes os motivos que alguém pode considerar qualidades em um filme são exatamente os motivos que outro considera uma fraqueza.

Mesmo seu crítico de cabeceira vai divergir de você várias vezes. Não há nada de mais nisso. O papel da crítica é estimular a reflexão do leitor, mesmo que os dois não estejam de acordo. Cabe ao leitor entender os motivos daquela opinião (e ao crítico cabe se fazer entender) e formar a sua com base maior do que um “gostei/ não gostei”.

Em tempo: estou com o Bogdanovich, claro.

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