segunda, 16 de julho de 2018
Cinema
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‘Pantera Negra’ é o destaque das estreias dos cinemas de JP e CG

André Luiz Maia / 15 de fevereiro de 2018
Foto: Divulgação
As questões raciais estão sendo discutidas no mundo inteiro e os Estados Unidos se apresentam no centro dessa discussão, inclusive Hollywood. A campanha #OscarsSoWhite, em 2016, escancarou as lacunas da indústria do entretenimento em relação a atores, produtores e realizadores negros no cinema. Diante deste cenário, a estreia de Pantera Negra, que chega aos cinemas paraibanos hoje, é histórica.

A obra não é a primeira aventura de super-herói da Marvel nos cinemas a contar com um protagonista negro (a honra cabe a Blade, o Caçador de Vampiros, de 1998), mas o elenco é repleto de afrodescendentes. E o que difere esta produção de Blade é o alto investimento que a Marvel Studios está colocando.

Para se ter ideia, o filme está orçado em aproximadamente US$ 200 milhões, números maiores que filmes como Doutor Estranho (US$ 165 milhões) e o filme mais recente da trilogia Thor: Ragnarok (US$ 180 milhões). Portanto, Pantera Negra não é apenas um lançamento voltado a um nicho, mas uma aposta para um sucesso de bilheteria a nível mundial.

A história gira em torno de T'Challa (Chadwick Boseman), bravo guerreiro do fictício país africano Wakanda, que foi apresentado ao público pela primeira vez em Capitão América – Guerra Civil. O filme começa logo após os eventos deste outro do Marvel Cinematic Universe (MCU), quando T'Challa precisa voltar para seu país de origem e assumir o trono, vago desde a morte de seu pai, o rei T'Chaka, em um atentado a bomba durante uma conferência das Nações Unidas. No entanto, essa transição se torna problemática quando um velho inimigo reaparece e ameaça todo o reino.

Para quem não está habituado com a história contada nos quadrinhos, Wakanda é um reino africano que detém uma tecnologia ultra avançada. Séculos atrás, cinco tribos da região lutaram pela posse de um metal alienígena trazido por um meteorito, o vibranium. Quem resolveu a cizânia entre os povos foi o surgimento do primeiro herói intitulado Pantera Negra, que ganhou superpoderes por conta da ingestão de uma erva afetada pelo metal extraterrestre.

Com o passar dos anos, a civilização unificada começa a desenvolver tecnologia e dispositivos que fariam qualquer Tony Stark morrer de inveja. A Wakanda retratada no filme, portanto, foge da imagem estereotipada dos países africanos, sempre atrelada à pobreza e ao sofrimento. O protagonismo feminino é um dos destaques do filme, já que atrizes como Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Angela Basset possuem funções que vão muito além de suas belezas físicas, sendo cruciais para o avançar da história.

O roteiro de Ryan Coogler (que também dirige o filme) e Joe Robert Cole faz uma conexão com questões atuais como xenofobia e segregacionismo, além de retratar uma utopia do que seriam as civilizações africanas caso não tivessem sido colonizadas.

Tensões

Antes mesmo de estrear, Pantera Negra já deu o que falar. Uma campanha formada por um grupo crítico às últimas produções da Disney (a Marvel Studios é parte da gigante do entretenimento) pretendia boicotar a obra por considerá-la "esquerdista". A ideia era avaliar o filme com notas baixas na plataforma Rotten Tomatoes, que determina um índice a partir de resenhas de críticos especializados. A iniciativa foi barrada pela própria plataforma, que considerou a proposta de campanha como fomentadora de "discursos de ódio", algo proibido no site.

No entanto, não houve apenas campanhas negativas. Diversas iniciativas e grupos organizados se mobilizaram em torno da hashtag #BlackPantherChallenge reuniuram quase US$ 260 mil dólares para realizar sessões de cinema gratuitas para crianças afro-americanas.

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